Liberdade de Expressão. Cuidado.

Não sei se design é arte. Pelo menos não sempre.

Às vezes, até é.

O que eu sei é que é uma forma de expressão. Pode se passar muita mensagem pelo design, muitos afagos e socos podem sair de um cartaz ou ilustração.

Sei também que o Brasil tem inúmeros problemas. Mas não tem preço saber que posso abrir meu blog e me expressar, sem ter medo de que alguém que não goste do que leu, e com mais poder do que eu, decida que eu preciso de um corretivo. Poder fazer isso é a maior conquista desde que saímos da repressão.

Por isso levo muito a sério qualquer tentativa de cerseamento dessa liberdade, e você, designer, ilustrador ou cliente, deveria também.

Esse é o motivo da criação desta campanha que soltamos hoje. Para que tenhamos muito, muito cuidado antes de modificar aquilo que, mesmo que não perfeitamente, está funcionando.

 

liberdade_01

liberdade_02

liberdade_03

 

 

 

Cinema x TV x Internet. Quem ganha essa briga?

Há algum tempo queria abrir um espaço no blog para falar de assuntos mais amplos, sempre ligados a comunicação. Design é uma forma de comunicar, e todas as outras formas me interessam, me estimulam e afetam o modo que eu faço design. Quem me conhece sabe da minha paixão por cinema, quadrinhos e televisão. Por isso, resolvi começar a falar destes assuntos aqui, sempre com foco nas soluções, na linha criativa. Não serão criticas a filmes e programas, mas análises de linguagem, processo criativo e linguagem.

Um dos assuntos que vem me animando hoje em dia é a mudança de paradigma que a TV (em especial a estadunidense) vem passando em relação ao cinema. Como as séries estão arrebanhando uma quantidade cada vez mais expressiva de astros, estrelas e roteiristas próprios, enquanto o cinema claramente passa por um periodo de transição. E no meio disso tudo, a internet passa a ser um player central nesta briga.

x-files-poster

Neste último mês, eu assistia a House of Cards, a série da Netflix que pegou todo mundo de surpresa, e pensava comigo “Que diálogo bem escrito. Faz muito tempo desde que eu vi algo tão bem pensado no cinema”. Coisa parecida acontece com Game of Thrones. a série consegue uma qualidade surpreendente, uma adaptação quase irretocável, atores bem escolhidos num pacote difícil de ser batido.

Por que isso vem acontecendo? Porque as pessoas estão abraçando séries como estilos de vida, enquanto o cinema tem ficado mais no campo do escapismo?

Exploração do Formato

A verdade é que esse processo começou a algum tempo, e vem se acelerando. Para mim, começou com X-Files, nos anos 80. Foi a primeira série (que eu vi) que tinha um andamento de cinema, um acabamento bem cuidado, e uma trama que se extendia por temporadas a fio. Nesta época, as séries bebiam do cinema para compor suas tramas. Era como uma emulação, um filme seriado.

Séries anteriores e contemporâneas de X-Files, mesmo as mais bem sucedidas, ficavam na fórmula “filminho da semana”, como Magnum, Miami Vice e outros.

24season71

Mais tarde tivemos 24 horas e Lost, e ali, as séries começaram a criar uma linguagem própria, que realmente aproveitava as características de seriado. Até hoje, mesmo com muita vontade, a Fox não conseguiu adaptar 24 horas para o cinema. Lost, nem pensar. Ao contrário de Arquivo X, são produtos próprios para o meio que nasceram.

Tecnologia

Quando se assiste a um episódio de Game of Thrones, é difícil entender como eles conseguem um visual tão absurdo com um orçamento tão limitado em comparação com o cinema. A verdade é que a que a TV aproveitou bem as inovações tecnológicas recentes. Efeitos digitais ficaram mais baratos e mais realistas, e possibilitaram um acabamento impressionante. Com isso, a distância entre aquilo que só víamos no cinema ficou muito menor. Além disso (e isso é opinião minha), as vezes a escassez pode ser uma grande aliada da criatividade. E para poder driblar a necessidade do uso de efeitos, os diretores criam saídas geniais de roteiro.

Iron-Throne-Teaser-game-of-thrones-18537484-1280-720-1024x576

Foco

Existe uma diferença muito grande ao vender um produto para TV e para o cinema. No cinema, a meta é a compra do ingresso. Pouco importa o que a pessoa vai assistir depois que entrar. Pagou, virou estatística. Por isso, a indústria cinematográfica se esmerou tanto na criação de trailers, posters, e premissas de filmes, em detrimento a um final decente. É difícil encontrar um blockbuster atual que tenha uma conclusão satisfatória.

Já na TV, a intenção dos roteiristas é que o espectador retorne. Para mais um episódio, mais uma temporada. Isso faz com que tenham um cuidado enorme com o andamento da série. No Brasil, é comum que qualquer produto de dramaturgia televisiva seja escrito e produzido simultâneamente com sua exibição. Isso possibilita ao time de autores aumentar a participação de um personagem que cai nas graças do público, mudar os rumos de uma subtrama, em suma, mudar a história mesmo. Na TV americana, por outro lado, as produções costumam ser bem mais complexas, com um tempo de pós produção muito maior do que o daqui. Por isso investem na surpresa, no inesperado, no gancho para o próximo  episódio. Em termos práticos, essa prática empobrece os produtos brasileiros, que acabam ficando mornos e sempre de acordo com os ditames do que o público quer. Um capitulo como o Red Wedding, em Game of Thrones, dificilmente aconteceria aqui. Mesmo em obras literárias, como Gabriela, de Jorge Amado, o destino dos personagens muda de acordo com o Ibope.

710

No cinema, quem vem aprendendo com isso é a Marvel, que em suas adaptações para o cinema resolveu transformar cada filme numa parte de um todo maior, dividido em fases. Desta forma, cada filme aponta para um próximo, deixando algo no ar. Além disso, dá um passo além na criação de seu universo coeso com a estreia de “Agents of Shield”, série que vai atar de vez nós entre o cinema e a TV, inclusive com a utilização de personagens comuns nas duas mídias. A DC Comics, principal concorrente, ainda não conseguiu algo similar. Mesmo com um filme à altura, como Man of Steel, não soube catapultar outros de seus personagens, mesmo tendo controle de todos, e com séries de TV em andamento, que não tem relação alguma com nenhum produto de cinema.

Tamanho

George Lucas e Steven Spielberg, praticamente pais do esquema de blockbusters que impera no mercado cinematográfico atual, já deram declarações em que deixam suas apostas futuras no formato da TV. Quentim Tarantino, numa recente entrevista, disse que se a onda atual de adoção de cinema digital prevalecer, ele se vê mais facilmente trabalhando numa minissérie para HBO do que em filmes. Disse que na TV teria mais liberdade. Mas será que falta liberdade a Tarantino? E na TV, haveria mais?

Sim.

A razão disso está ligada aos custos do cinema atualmente. Está cada vez mais caro produzir um filme de qualidade. E quanto mais caro, maior a necessidade de retorno. Quando uma produtora coloca uma montanha de grana num filme, o modo mais simples de reaver esse dinheiro é arriscando menos. Menos risco é igual menos liberdade criativa.

MAN-OF-STEEL_612x380

Outra forma de diminuir os riscos é investir em astros. As pessoas pagam para ver rostos conhecidos no cinema. A indústria então cria maneiras de “inventar” novos astros a cada estação, afim de conseguir filmes com filas, pagando salários de início de carreira. A estratégia tem seu lado negativo: astros como Robert Downey Jr., estrela de Homem de Ferro, custam, sozinhas, para apenas um filme, mais do que uma temporada inteira das séries mais vistas na TV.

Enquanto isso, as redes de televisão fizeram de seus astros sócios dos projetos que atuam. Kiefer Sutherland é produtor de 24 horas, Kevin Bacon de The Following, e assim por diante. Além de remunerar de uma forma diferenciada, garante o empenho dos astros, que dentro de um set de filmagem, as vezes acabam atrapalhando mais que ajudando.

Outra coisa é que parecem faltar salas para tanto lançamento. Este ano, três filmes tiveram bilheterias abaixo do esperado, duas delas pareciam tiros certo. Enquanto Cavaleiro solitário sofreu pela falta de qualidade mesmo, e Man of Steel conseguiu somente o suficiente para garantir uma sequencia, ninguém entendeu bem a recepção morna a Pacific Rim. Os filmes tem uma janela curtíssima de exibição, ficando em cartaz por poucas semanas até serem substituídos.

Internet

Por mais que se trombeteasse aos quatro ventos que esse dia chegaria, nenhuma emissora se preparou realmente para ver o veículo abocanhando o espaço da TV e do Cinema. Este ano, a maioria dos programas tiveram redução de telespectadores, que não migraram para nenhum outro canal, mas sim para a internet.

house_of_cards

A Netflix entrou de verdade na briga, produzindo séries próprias como House of Cards (que esse ano concorre ao Emmy) e ressucitando séries canceladas pela TV que tinham hordas de fãs, como Arrested Development. E ainda inovou, ao lançar todos os episódios de uma vez, mudando o jogo da história seriada. Um movimento ousado, mas que rendeu frutos. No caso dela, o intuito é  manter e aumentar a base de usuários, cobrando um valor competitivo. Deu muito certo. A Amazon já dá sinais de caminhar para o mesmo lado, e deve atrair novos jogadores para o mercado.

A Marvel, novamente de modo pioneiro, resolveu usar a mídia liberando curtas metragens com personagens secundários, que podem fazer pontes ou crossovers com suas franquias principais.

Parece que o futuro aponta, mais que tudo, para essa direção. As empresas terão que ser criativas para garantir suas receitas. Os usuários não parecem ter paciência para esperar comerciais, e nem pelo próximo episódio na semana posterior.

 

Receba nossa newsletter!

Inscreva-se em nossa lista e fique sabendo dos nossos posts e novidades. Fique tranquilo: não vamos entupir sua caixa de email!

Quase lá! Uma mensagem de confirmação foi enviada para seu email. Por favor, clique no link para confirmar sua inclusão na lista.