Propósitto entrevista Kevin Shaw, da Stranger and Stranger

Propósitto entrevista Kevin Shaw, da Stranger and Stranger

É comum conhecermos agências e estúdios especializados em varejo, ou com grande experiência em pontos de venda. Essas empresas passam a ter grande know-how de determinado tipo de ação, e por isso são procuradas por várias companhias do mercado.

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Mais dificil é um estúdio de design completamente dedicado a uma indústria específica. É o caso da Stranger & Stranger, que atende exclusivamente à indústria de bebidas. Na verdade, atende é um termo brando para o trabalho deles. As embalagens que a Stranger cria se parecem mais com peças de arte. Mesmo quem não é um grande bebedor ficará tentado a ter na prateleira algumas de suas garrafas, nem que seja para ficar só olhando.

Conversamos com Kevin Shaw, fundador do estúdio, que falou sobre a indústria, crise e sobre manter a simplicidade do processo.

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Conte um pouco sobre como (e porque) você se tornou um designer gráfico.

Eu estava entediado como um Químico, fui para escola de arte e me apaixonei por comunicação visual.

 Quando você teve contato pela primeira vez com a indústria da bebida?

Há aproximadamente 15 anos, eu estava bebendo vinho e comprando num leilão e pensei que os rótulos era um pouco chatos, então entrei em contato com a vinícola mais próxima, e me ofereci para fazer rótulos em troca de vinho. Começou como um hobby, e agora saiu um pouco do controle.

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É difícil ver um estúdio completamente dedicado a uma indústria específica. Como você decidiu trabalhar dessa forma?

Algumas razões. Embalagem é tudo nesse setor, as pessoas na indústria da bebida são muito bacanas, e é divertido. Além disso, existem 500 mil marcas de bebida no mundo, então nunca ficaremos sem serviço. E é uma indústria a prova de recessão, porque as pessoas sempre bebem.

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Quais são as particularidades de se trabalhar nessa indústria?

Existem 6 mil pinot noirs só na California. Nenhuma outra indústria tem tanta competição, então embalagem é uma peça chave.

Fale um pouco sobre seu processo de trabalho

Um cliente chega com uma marca ou um produto, nós identificamos uma estratégia e criamos um design que o diferencie de seus competidores, e todo mundo vive feliz para sempre. Nós mantemos o processo muito, muito simples. Nós não usamos papel, tudo é feito no Illustrator, e nós só produzimos um layout. Na verdade nós estamos criando mais e mais de nossos próprios produtos, então o processo é ainda mais simples que isso.

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Uma vez que você conhece tanto sobre esse mercado, você sente a necessidade de evitar os “atalhos criativos” no processo?

Ser tão especialista significa que não perdemos tempo, e cortamos mentalmente um monte de erros antes mesmo de começar. Nós sabemos quais produtos existem aí fora, e como a indústria funciona e sabemos o que vai vender.

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 Qual é sua bebida favorita? E qual a sua embalagem preferida de todos os tempos?

Eu sempre gosto de um bom burgundy. Minha embalagem preferida? Essa é uma dificil. Garrafas vintage da seltzer.

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 A crise internacional está afetando esse mercado? Companhias estão investindo menos em embalagem do que antes?

Não no mercado de bebidas. O mercado Inglês é bem aborrecido porque é controlado por alguns supermercados, guiados por corte de preços, e as margens caíram tanto que o mercado está comendo a si próprio. Nos Estados Unidos é ótimo porque eles valorizam a inovação e sabem como valorizar a venda. E o mercado da Asia ainda é maluco, já que todo mundo quer colocar os pés no mercado de luxo. Nós tentamos manter nossas mãos em muitos mercados e setores quanto podemos, assim um deles está sempre em alta.

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Você conhece o Brasil, ou designers brasileiros?

Não, nenhum.

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Conhece alguma bebida brasileira?

Obviamente, conhecemos a cachaça, mas nunca desenhamos uma marca brasileira

Rótulos antigos de Vinhos de São Roque

Como vocês sabem, a Propósitto está localizada em São Roque, uma pequena cidade de 75 mil habitantes a 60km de São Paulo. São Roque é conhecida até hoje por sua relação com a produção de vinho. Essa relação, embora exista até hoje, principalmente por conta da empresa que mais cresceu na região, a vinícola Góes, já foi muito maior. No passado, São Roque chegou a ter mais de 100 vinícolas em funcionamento. Hoje restam pouco mais de 15.

O vinho de São Roque nunca chegou a ter uma boa aceitação de apreciadores, mas tem boa penetração no público mais simples, acostumados com vinhos doces, feitos com uvas de mesa. Atualmente, os maiores produtores adquiriram ou fizeram parcerias com vinicolas do Rio Grande do Sul, afim de oferecer um vinho de maior qualidade.

Minha esposa, a Gabriela Victor, do Todas as Mesas está fazendo um curso de Enoturismo promovido por aqui. Ela me trouxe, das suas aulas, um tesouro. São dezenas de rótulos de vinhos e bebidas dos tempos áureos de São Roque. Eles compreendem várias vinícolas, principalmente dos anos 50 até 70. É interessante ver, que numa época com pouca conectividade mundial, o surgimento de tendências e linguagens regionais. Os rótulos tem um padrão que difere do visual de vinhos importados, mas têm características próprias.

Não tive como resistir, tinha que postar esse achado na mesma hora. Clique nas imagens para versões bem maiores.

Espero que vocês curtam!

 Um update importante. O leitor do blog Durval Moreno notou que na lista faltava o rótulo do vinho que seu avô fabricava até meados de 1969, o “Vinhos Munhoz”. Durval, não falta mais! Muito obrigado pela lembrança. Se alguém der falta de mais algum, é só mandar que a gente inclui. O rótulo, aliás, é bem interessante, e mostra as cores fortes e tipografia produzida manualmente muito características da época. Muito bacana.

 

 

 

 

Rótulos antigos de Drogas vendidas em farmácias

Esse post nasceu de um email que recebi do meu primo William (quem disse que a gente nunca recebe nada que presta?).

Achei genial. Enquanto todos ficam espantados pelo fato inusitado que é era as farmácias venderem drogas dessa forma, eu (claro) fiquei de boca aberta pelos rótulos. A tipografia é sensacional, e as ilustrações de primeira. É uma viagem, espero que vocês gostem.

Observação: como veio por email, não tenho a mínima ideia de quem e o autor. Mas se você for o autor ( e puder provar), mande-me uma mensagem que eu colocarei seu crédito prontamente. E obrigado!

1. Heroína da Bayer

Entre 1890 a 1910 a heroína era divulgada como um substituto não viciante da morfina e remédio contra tosse para crianças.

2. Vinho de coca

O vinho de coca da Metcalf era um de uma grande quantidade de vinhos que continham coca disponíveis no mercado.Todos afirmavam que tinham efeitos medicinais, mas indubitavelmente eram consumidos pelo seu valor “recreador” também.

3. Vinho Mariani

O Vinho Mariani (1865) era o principal vinho de coca do seu tempo. O Papa Leão XIII carregava um frasco de Vinho Mariani consigo e premiou seu criador, Angelo Mariani, com uma medalha de ouro.

4. Maltine

Esse vinho de coca foi feito pela Maltine Manufacturing Company de Nova York. A dosagem indicada diz:

“Uma taça cheia junto com, ou imediatamente após, as refeições. Crianças em proporção”.

5. Peso de papel

Um peso de papel promocional da C.F. Boehringer & Soehne (Mannheim, Alemanha), “os maiores fabricantes do mundo de quinino e cocaína”.Este fabricante tinha orgulho em sua posição de líder no mercado de cocaína.

6. Glico-Heroína

Propaganda de heroína da Martin H. Smith Company, de Nova York. A heroína era amplamente usada não apenas como analgésico, mas também como remédio contra asma, tosse e pneumonia.. Misturar heroína com glicerina (e comumente açúcar e temperos) tornada o opiáceo amargo mais palatável para a ingestão oral.

7. Ópio para asma

Esse National Vaporizer Vapor-OL era indicado “Para asma e outras afecções espasmódicas”. O líquido volátil era colocado em uma panela e aquecido por um lampião de querosene.

8. Tablete de cocaína (1900)

Estes tabletes de cocaína eram “indispensáveis para cantores, professores e oradores”. Eles também aquietavam dor de garganta e davam um efeito “animador” para que estes profissionais atingissem o máximo de sua performance.

9. “Drops de Cocaína para Dor de Dente – Cura instantânea”

Drops de cocaína para dor de dente (1885) eram populares para crianças. Não apenas acabava com a dor, mas também melhorava o “humor” dos usuários.

10. Ópio para bebês recém-nascidos

Você acha que a nossa vida moderna é confortável?

Antigamente para aquietar bebês recém-nascidos não era necessário um grande esforço dos pais, mas sim, ópio. Esse frasco de paregórico (sedativo) da Stickney and Poor era uma mistura de ópio de álcool que era distribuída do mesmo modo que os temperos pelos quais a empresa era conhecida.

 

“Dose – [Para crianças com] cinco dias, 3 gotas.

Duas semanas, 8 gotas. Cinco anos, 25 gotas.

Adultos, uma colher cheia.”

 

O produto era muito potente, e continha 46% de álcool. [Oddee]

Entrevista com Michael Golan, designer de Israel

Continuando nossa missão de trazer a realidade do designer em diferentes países, o blog da Propósitto conversou com Michael Golan, um designer independente de Israel.

Tropecei com o trabalho de Golan nesse link, do site Lovely Package. O que me chamou a atenção foi a singeleza do trabalho. Tenho visto muitos trabalhos de embalagem sensacionais, mas tão complexos, e baseados em novos materiais que acabam inviabilizando que pequenos empresários se destaquem.

Michael prova que é possível fazer um trabalho sólido utilizando muito pouco. No caso dele, uma linha de produtos fitoterápicos para cães. Sua maneira simples, limpa e direta de tratar o produto adicionam muito à marca.

Na entrevista abaixo, Michael Golan fala sobre sua carreira, processo de trabalho e sobre problemas muito parecidos com os que os designers brasileiros passam todos os dias.

Propósitto – Conte-nos um pouco sobre você. Como vc se tornou um Designer Gráfico? Você trabalha sozinho, ou em um estúdio?

Michael Golan – Na verdade, eu não estava realmente interessado em design gráfico. Eu queria ser um editor ou fazer comerciais. Por um algum tipo de mistura estranha, eu acabei estudando design gráfico, e acabei me apaixonando.

Quando terminei minha faculdade, eu comecei a trabalhar como aprendiz no estúdio de David Tartakover’s. É um estúdio muito conhecido e respeitado em Israel e por todo o mundo (tartakover.co.il)/ Tartakover possui uma das maiores (senão a maior) coleção de gráficos Isralenses. Quando eu comecei, eu não fazendo nenhum tipo de trabalho de design, mas ao invés disso ele me pôs para arrumar seu arquivo. O que, devo dizer, foi muito mais interessante, pois tive acesso a muitos materiais que você só pode ver em museus. Eu aprendi muito sobre a história do Design Gráfico em Israel.

Depois que terminei meu bacharelado eu continuei trabalhando lá, desta vez fazendo trabalhos de Design. Depois de algum tempo eu mudei para outro estúdio de design. O trabalho era muito interessante, mas a carga horária era insana. Eles costumavam a ter duas pessoas trabalhando no estúdio naquela época, mas pouco depois que eu cheguei a outra pessoa se demitiu. Então, acabei tendo que fazer o trabalho de dois, indo até as onze da noite, uma da manhã rotineiramente.

Isso me convenceu a começar meu próprio estúdio. Eu não estava realmente preparado, e pra falar a verdade, nem fiz muito planejamento. Eu apenas “mergulhei naquelas águas”.

Propósitto – Como a empresa (Anima) contratou você? Você faz algum tipo de auto-promoção?

MG – Até recentemente, eu não estava fazendo nenhuma auto-promoção. Somente agora (depois de cinco anos trabalhando como freelancer) eu estou começando a entender o quanto isso é importante. No início, eu simplesmente fazia aquilo que aparecia, rezando por projetos interessantes. Eu tinha um bom relacionamento com alguns de meus professores na faculdade, de maneira que eles me indicavam para alguns trabalhos de tempos em tempos. E assim as coisas iam acontecendo.

Noga é uma treinadora de cães. Eu a conheci quando a contratamos para nos ajudar a treinar nosso cão. Tivemos uma boa conexão, e nos tornamos amigos. Sua amiga, Neomi tem uma clínica que trata cães com medicina chinesa. Elas tiveram essa ideia de comercializar a linha de produtos de cuidado para cães que elas desenvolveram ao longo dos anos, e que usavam na clínica. Então me perguntaram se eu queria fazer o Design para elas.

Propósitto – Fale um pouco sobre o processo de criação deste trabalho.

MG – Quando eu começo um projeto, eu normalmente dou uma navegada pela internet, procurando produtos do mesmo campo. Eu normalmente tenho uma ideia na cabeça, então tento desenvolvê-la. Acaba nunca ficando como era a princípio.

Propósitto – Eu notei que você escolheu um modo bastante simples, mas muito poderoso, muito tocante. Em uma época onde as embalagens estão mais e mais complexas, você acredita que exista espaço para soluções como esta?


MG –
Eu acho que existe espaço para os dois casos. Meu sonho é fazer algo complexo, mas meu trabalho sempre acaba sendo “simples” no final. Nesse caso, foi uma escolha deliberada, já que eu queria que os produtos tivessem um jeito “médico” e clean, como produtos farmacêuticos. Mas para não ficar frio, eu adicionei as ilustrações dos animais, para ganhar vida e uma sensação mais aconchegante.

Propósitto – Os clientes ficaram satisfeitos com o investimento? Em outras palavras, o quanto você acha que um bom design influencia os resultados?

MG –Os clientes ficaram muito satisfeitos com o resultado, e continuam me ligando quando precisam de materiais extras (como catálogos e adesivos). Mas não é uma questão do design ser bom ou não. É uma questão de se o cliente está feliz ou não. Existem clientes que ficam satisfeitos quando o design parece bom, mas outros, quando os prazos são cumpridos, ou se é barato etc.

É responsabilidade do designer fazer o melhor que puder. Ficar por trás de seu trabalho, de uma maneira apaixonada. Assim, com certeza os clientes também irão gostar. Clientes felizes são clientes que retornam.

Agora, se você estiver falando a respeito das vendas, um bom design pode afetar as vendas de um produto também.  Mas não vai durar se o produto não tiver seus predicados, e se apoiar somente no design para “fazer parecer bom”. Uma pessoa me perguntou, não muito tempo atrás se “bom design pode vender um mau produto”. Eu disse a ele que o design pode convencer alguém a comprar um produto. Mas acredito que se alguém compra um produto uma ou duas vezes e vê que ele não entrega o que promete, ele não tornará a comprá-lo, mesmo que tenha um bom design. No caso da Anima, isso não foi um problema, pois os produtos são muito bons, e entregam exatamente o que devem.

Propósitto – Como é a vida de um designer em seu país? As pessoas e empresas estão realmente cientes da relevância do design?

MG – Não posso dizer que a vida de um designer é fácil em Israel. Pelo que eu ouvi, vocês, do Brasil, estão enfrentando os mesmos problemas. O numero de “escolas de design” em Israel está aumentando. A cada ano, aproximadamente 700 ou mais novos designers são liberados para o mercado de trabalho. Quando você começa, normalmente trabalha por longas horas, por salário mínimo. Sempre haverá alguém mais barato que você. E a maioria dos clientes estão mais preocupados com o preço do que com a qualidade do trabalho. Eu nem me lembro quantas vezes eu ouvi um cliente me dizer “mas eu posso conseguir o mesmo por um terço do que você cobra”, e leva tempo para aprender a deixar pra lá.

Quando você é independente, você precisa aprender a ser uma pessoa de negócios também. E nem todo mundo consegue isso. Eu amo design. E quando você trabalha por si só, de repente você se encontra cuidando de contas, números, prospectando clientes etc. Acaba sobrando pouco tempo para o design. E isso pode ser bem cansativo.

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