Find The River – R.E.M.

Find the River – R.E.M

Post escrito em Janeiro de 2009 no blog A Fantástica Floresta de Teixos

Não sei se todo mundo tem uma relação com música igual a minha. Mas certas memórias minhas só voltam à mente acompanhadas de uma trilha. É natural, e é inevitável. Ao ouvir essas canções, eu quase consigo sentir o cheiro da época.
E não é algo que possa ser emulado. Não dá pra dizer: vou ouvir pra caramba isso aqui, assim vai marcar essa época. Simplesmente acontece. E só depois de muito tempo vc vai perceber o que aquela música representa.
Essa série de posts que eu inicio agora talvez seja a mais pessoal que eu já escrevi. Vou fazer um esforço para ouvir, e registrar o que lembro quando ouço determinadas músicas. Para mim, vai ser uma viagem. Espero que não seja chato pra quem lê.

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1992 – Find The River 
12ª faixa do álbum Automatic for the People
R.E.M.

Em se tratando de nostalgia, nenhuma banda me toca mais que o R.E.M.
O disco imediatamente anterior a esse tinha estourado de tanto tocar (não há quem não se lembre de Losing My Religion). Acho que eles emplacaram todas as faixas de Out of Time, que tinha melodias que grudavam instantaneamente, como Shiny Happy People e Radio Song. Quem, como eu, já conhecia a banda, sabia que ela podia ser bem mais pesada.
Quando Automatic saiu, foi um certo choque. Era o contrário do que eu esperava. Um disco inteiro melódico, com arranjos perfeitos, um tom levemente deprê. Na minha opinião, um dos melhores CDs que eu já ouvi.
Mas não foi em 1992 que este CD fez parte da minha vida. Na época ainda era possível assistir MTV, e era o que eu fazia. Constantemente. Na verdade, não via outra emissora. Ainda haviam VJs interessantes, era a época do Thunder, da Cuca (aliás, que Cuca!), Rodrigo, Gastão, enfim, um pessoal não era só metido a engraçadinho. Além disso, (olha só) tinha música na MTV, não um amontoado de reality show e programinha pra pivetada arrumar namoro.
Duas músicas desse CD caíram no gosto popular, de cara: Everybody Hurts e Nightswimming. Tinha motivo, as músicas eram sensacionais. Mas as melhores estavam escondidas.
Em 1993 eu entrei na faculdade.
Formei uma renca de amigos e amigas, que eram infinitamente mais interessantes que as aulas.
Curiosamente, não foi a putaria que marcou meu período de faculdade. Eu já namorava a Gabriela, que é a Sra. Rodrigo Teixeira hoje em dia. Foram as amizades mesmo. Foi a descoberta que existiam outros malucos iguais a mim. Um monte de sujeito esquisito, magrelo e narigudo que gostava de cachaça, música e cinema tanto (ou mais) que eu.
Em meados de 93, 94, a turma estava muito unida. Eramos uns 10, 12 no máximo, mas sempre tinha o que fazer. Começamos a marcar viagens em feriados.

Foram umas 4, 5 viagens.

Find the River me lembra essas viagens.
Me lembra voltar dos botecos das cidades no meio da madrugada.
Cair na piscina de roupa, correr no meio do canavial na escuridão total, ficar falando merda na varanda até quase amanhecer. Beber até não parar de pé. Não poder dizer uma frase sequer sem que alguém levasse pro duplo sentido. RIR ATÉ DOER.
O tipo de amizade que nunca mais vou ter. Amigos que estavam ali pra qualquer parada. A falta de responsabilidade, não precisar pensar no amanhã, foda-se se a gente ia pro trabalho com uma ressaca monstruosa.
Hoje, com todos cuidando das vidas, filhos, empregos, esposas, contas, é impossível até mesmo tentar repetir esses dias. Mudou quase tudo. Não há pisada na bola impune. Alguns deixaram de ser amigos. Outros, e justamente àqueles que a gente menos esperava, reaparecem sem aviso.
Alguns nunca foram embora, e hoje são irmãos, do coração. E é bom ter a trilha sonora à mão para ouvir, lembrar dos bons tempos, e rir de tudo novamente, ainda que (como algumas bebidas que a gente consumia tanto na época) a doçura do riso termine com um gostinho um pouco amargo da nostalgia.

Outras trilhas que me lembram do mesmo (mas não com tanta força):
I alone – Live
Blister on the Sun – Violent Femmes
Have you ever seen the rain – Creedence Clearwater Revival

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