Procura-se uma heroína

O grande desafio do mundo do showbiz atual é conseguir achar o tom certo para finalmente dar presença ao universo feminino no entretenimento de ação. É só olhar. A Disney repaginou as características de suas princesas, a Viúva Negra tem papel de destaque nos Vingadores, a Mulher Maravilha será central em Batman V Superman.
Historicamente, as mulheres sempre ficaram com papéis secundários nos filmes e séries de ação. Ou eram pares românticos dos herois, ou serviam como colírio pros olhos dos marmanjos, em derivadas de Bondgirls. Mas a sociedade de hoje, que tem cada vez mais mulheres em papel de destaque, já não está aceitando tão bem o papel de eternas “donzelas em perigo” que sempre vêm às telas.
Ainda falta protagonismo.
Não é falta de tentar. Desde Angelina Jolie em Tomb Raider ou Salt a uma ainda indefinida tentativa de fazer uma versão feminina de Expendables, Hollywood está sondando o terreno para ver o que dá certo. Até o momento, poucos foram os produtos de ação que deram um retorno à altura dos já exaustivamente testados músculos dos brucutus.
Talvez isso se deva a um universo de diretores e produtores tomado por homens. Gente que não entende realmente as minúcias de um personagem feminino, a acaba criando pastiches, fantasias masculinas ou simplesmente personagens unidimensionais, o que é uma pena.
Mas o que pouca gente se tocou é que esse personagem já existe, é bem sucedido e já a acompanhamos há 5 anos.
A Carrie Mathisson de Homeland, vivida por Claire Danes, é (pelo menos para mim), a melhor personagem feminina de cinema de ação da atualidade, e talvez da história.
A série, que é focada no mundo da espionagem e tem um tom mais próximo da realidade e menos jamesbondiano, está na quinta temporada. Mostra os conflitos da geopolítica mundial de forma magsitral. Daines é produtora executiva.
Sua Carrie Mathisson é uma heroína de ação, uma espiã, mas nunca um Jack Bauer de saias. Sabe montar um rifle em segundos, é corajosa ao ponto da inconsequência, mas nunca foi vista trocando roudhouse kicks com inimigos. É bonita, é vaidosa, mas só usa sedução como arma se a situação assim pedir (como uma boa espiã). Seu principal diferencial é sua inteligência e capacidade de visualizar cenários complexos. Mas toda essa perspicácia lhe cobra um preço caro, que quem assiste a série sabe bem o que é.
Mas também por vezes é frágil, confusa e complexa. Carrie é uma das personagens mais bem construídas da TV atual, justamente por não caber na fôrma padrão dos homens. É no mínimo, um caminho a ser observado.
Esse mês teremos a Marvel/ Netflix com sua Jessica Jones, que promete muito, e então veremos se Hollywood está chegando mais próximo ou se afastando da heroína da nova geração, uma que agrade aos meninos e não ofenda as meninas.

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