Recebi uma carta muito interessante de uma leitora em vias de fazer sua escolha por uma carreira. Como a carta dela é muito bem fundamentada, e acho que as dúvidas dela podem ajudar a outros, resolvi publicar aqui na íntegra.

Quero deixar claro que as respostas são opiniões minhas, não sou dono de nenhuma verdade.

Como que o mercado de trabalho recebe esse profissionais? E em tempos de crise?
​Normalmente o início da carreira de um designer é como estagiário em um estúdio ou agência.
Agências pagam mal, se pagam. Porém, apesar de eu ser contra essa prática, um estágio numa boa agência pode render frutos. Mas só se for muito boa, e só se você se garantir muito no seu trabalho. Caso contrário, é muito fácil ficar vetorizando logo, servindo café e tirando cópia de graça. Para dar certo, tem que colar no diretor de arte e fazer valer.
Em estúdios de design, costuma-se pagar um salário que se aproxima do mínimo. Se a pessoa está disposta a ensinar, não vejo problema.
Em tempos de crise aumenta a demanda por “estagiários” que façam tudo, portando, tome cuidado.
Quais são os salários iniciais? E o salário médio?
​Vou falar meio de chutômetro, e meio baseado no que eu vejo com amigos.
Salários iniciais (para design, não estágio​) na faixa de R$ 1.200,00
Salário médio para profissional pleno, de uns R$ 3.500,00, quando isso.
Designer Sênior e diretores de arte por volta de R$ 5.000,00 ou R$ 6.000,00.
Publicidade paga mais, mas você precisa ter uma carreira inteira voltada para este ramo.
Quais são as condições de trabalho?
​Geralmente boas. Os estúdios e editorias são locais agradáveis, o pessoal geralmente é gente boníssima e normalmente divertidíssimos. Os problemas​ são nas flexibilizações que são constantes. Trabalhar horas e horas na madrugada é constante, e geralmente remuneradas por pizza. Você acaba ficando porque sente que está se divertindo, mas é uma armadilha. Se eu estivesse entrando agora no mercado, tomaria cuidado com isso. Procure estabelecer algum tipo de retorno, mesmo que não seja em grana. Um banco de horas, pelo menos.
Há um sindicato ou leis que representem e protejam essa área?
​Existe a ADG, que é a Associa​ção dos Designers Gráficos, que vem tentando agir nos interesses da classe, mas que não pode atuar como sindicato, então, não. Não há isso.
Quais são as melhores áreas de atuação no Brasil?
​O Brasil é respeitado em Design de Produto, na produção de móveis. Mas tudo muito localizado.
Não sei se existem áreas melhores ou piores. Como eu disse, publicidade paga mais para diretores de arte, mas é mais restrito à grandes agências. ​
Qual é o melhor país para exercer essa profissão?
​Só sei que não é aqui (risos nervosos). Nos Estados Unidos e Europa designers são bem mais valorizados. Casos de Designers chegando à diretoria de empresas estão começando a aparecer. Aqui, até mesmo a postura da maioria dos designers impede que isso aconteça. Ainda somos muito ligados a certas características da profissão, como o fato de ser glamourizada, de ter liberdades de se vestir como quiser, de estar cercado de pessoas descoladas, que acabam fazendo com que o perfil do profissional se mantenha muito “cabeça fresca” e não exija muito dos contratantes. É preciso mudar esse perfil, rápido.​

Você está feliz com o seu trabalho?

Desde que me tornei empresário​, venho tendo melhores resultados e explorando mais profundamente o design. Isso ajuda.
Mas sendo totalmente honesto, em qualquer profissão existem frustrações. Design não é diferente, e com o agravante de que você trabalha muito, tem pouco resultado, e tem que lutar muito para encontrar seu lugar ao sol e mesmo para que as pessoas entendam que diabos você faz.
 Que conselhos você pode dar para uma pessoa que está querendo fazer esse curso?
​Meu conselho é: entre nessa profissão se você ama design de verdade. No meu caso, eu não sabia fazer mais nada.
Se você gosta muito, vai suportar os desafios e brigar para que o status da profissão mude. Para quebrar certos paradigmas e fazer diferença. Se a expectativa não for essa, pode haver frustração. ​

 

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