question
Recebi um email de um jovem me fazendo duas perguntas sobre a carreira, depois de ler o artigo “Escolhi uma Profissão de Merda, e Agora“. Foram duas questões apenas, mas achei que ele foi claro e direto, e que as dúvidas dele podem estar na cabeça de vários outros jovens.
Por isso resolvi reproduzir o que escrevi para ele aqui. Claro que são respostas completamente pessoais, que podem no máximo servir como reflexão para ele tomar as próprias decisões.
1 – Devo continuar ou vale mais a pena tentar alguma área que paga melhor?
Se você tomar por base estritamente a questão monetária, você vai com certeza encontrar profissões que pagam mais. Mas se você for como eu, não sabe fazer mais nada, não tem muita escolha.
Se este é o seu caso, ou seja, se seu talento natural e sua vontade é de ser designer, mesmo que dê trabalho, existe lugar para você no mercado. É uma luta diária? Sim. Mas fazendo certo, há resultado. 
 
Não é fácil encontrar designer com nível salarial médio de engenheiro, ou médico. Mas dentro dos círculos certos, existem designers que estão felizes com suas profissões e que se sustentam de modo satisfatório com o que fazem. Não é fácil. Mas não creio que alguma profissão seja. 
 
Resumindo: se você ama design, e se você tem talento, fique. Se por outro lado, sua escolha passa por outros vetores, e você tem outras aptidões que justifiquem outra carreira, sinto dizer que este pode ser um caminho mais simples e lucrativo, sim.
 
 
2 – A vida do designer gráfico (ou produto) está difícil? 
 
Sim, está. A profissão vem passando por modificações muito profundas que estão mudando o panorama da carreira. Algumas delas são bem inevitáveis, como a regulamentação da profissão, que até hoje não saiu do papel. 
 
Outras, como o perfil do profissional que o mercado quer, estão mais nebulosas. Designer deve saber desenhar? Deve saber programar? Plataforma tecnológica ideal, posição e hierarquia dentro das empresas. Concorrência com outros profissionais. Concorrência com amadores. Trabalhos especulativos. Tudo isso é bem vago, está em discussão, e tem quem defenda qualquer lado dessa conversa.
 
Do meu lado, o que vejo de mais cansativo na vida do designer é a constante luta para provar que nossa profissão é relevante, necessária e que dá resultados práticos. Precisa ter uma boa dose de talento de sacerdote para evangelizar as almas dos que precisam de nós. 
 
Aqueles que realmente sabem da importância do nosso trabalho (caso dos profissionais de marketing e/ou publicidade) às vezes preferem nos explorar sem dó nem piedade, e se possível ficar com os louros do resultado de nosso suor para eles. 
 
Mas em comparação eu não saberia dizer. Porque esses são os desafios da nossa profissão. Quais são os desafios dos médicos, advogados ou engenheiros? Só saberia sendo um deles. 
 
O que eu tento fazer é focar nos desafios que eu tenho, porque Design é um assunto novo há uns 30 anos no Brasil. E tem muito chão para andarmos. Precisamos de gente com muito fôlego, porque a caminhada ainda é longa.

 

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