Muito se fala nas tendências do design. Em saber o que o futuro reserva. As cores mais quentes da próxima estação. Se a onda será um design “flat” ou “skeumórfico”? Pensando nessas questões, resolvemos investigar, e entregar a você, designer ou cliente, que quer manter sua marca atualizada, nossa opinião sobre o que você precisa saber sobre as próximas tendências para manter seu cliente na modernidade.

NADA.

Nada? Será que estamos ficando malucos? Um designer não precisa ficar antenado no futuro?

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Por que algumas coisas duram…

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… e outras nem tanto?

Bom. Sim, e não. O que acredito é que ninguém precisa ficar constantemente de antenas ligadas em primeiros movimentos estéticos para tentar pegar uma carona nas primeiras posições. Existem riscos bem claros nessa estratégia. Claro, você pode ser muito rápido e conseguir seus minutos de admiração ao lançar um site completamente alinhado com as novas linhas ditadas pelo mercado, mas antes de perder seus cabelos e quebrar as lentes sem grau dos óculos hipster, veja nossas considerações abaixo.

Design não é moda. Mas moda é design.

Design é comunicação. Ponto. É uma ferramenta visual para entregar uma mensagem. Cada tipo de mensagem, e cada tipo de público receptor dessa mensagem demandam uma (ou mais de uma) solução visual mais adequada. Tendências podem ter seu lugar, mas se você busca a entrega de uma mensagem mais atemporal, melhor fugir delas.

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Saul Bass virou referência, mas será que virou tendência?

Exemplos disso estão justamente na moda. Qual designer, em sã consciência iria querer que a marca de seu cliente, ou suas informações institucionais fiquem parecidas com uma foto da capa do disco do Roupa Nova de 1986?

A moda, como um tipo de design, quer comunicar também. E ela comunica principalmente o espaço de tempo que ocupa na história, somado à detalhes da personalidade de quem a veste. Portanto, é fácil distinguir um Punk  de um Disco Dancer, ambos no fim dos anos 70. Mais ainda separar um personagem da renascença de um sujeito New Wave dos anos 80. Esse é o design da moda. Ela usa tendência após tendência para marcar a passagem do tempo.

Mas mesmo aí, dá pra admirar quando um enfoque atemporal é usado. Afinal de contas, acho que alguém vestido como James Dean pode passear por qualquer rua do mundo muito mais facilmente hoje em dia do que a mesma pessoa, paramentado de acordo com o auge da moda do meio dos anos 80.

Projete para o cliente, não para o Designer

Para mim é bem simples. Seu design deve impressionar aos clientes do seu cliente. Não a você, ou a outro designer. Tenho visto alguns projetos lindíssimos, que me deixam com o queixo caído, tamanha a complexidade e inventividade envolvidas. Confesso que eu, como designer, tenho dificuldade de absorver todas as inovações e referências nela.

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Será que Paul Rand pensava se seus logos seguiam as “novas tendências”?

Para mim, é arte. E eu não faço arte. Bom, não pra vender, pelo menos.

Uma característica do design é que ele é , e tem que ser, parte da cadeia de comunicação de uma organização/pessoa. Ele comunica algo a alguém. Sem esses dois personagens, não é design. Arte, por outro lado, não tem a necessidade de falar a ninguém, a não ser ao próprio artista. Outros podem ter  N leituras sobre obras de arte, mas qualquer obra artística (pelo aquelas que eu respeito) são necessidades de expressão muito particulares do artista. Mesmo quando encomendadas (como foram as pinturas financiadas pela igreja), o artista expressa mais a si próprio, não consegue evitar. Na minha opinião, considerar peças de design como obras de arte seria o mesmo que considerar jingles como música popular.

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Esse poster de 1973 é bem “disco”?

Portanto, se você faz design para traduzir suas visões de mundo, parabéns, você é um artista. Eu prefiro traduzir as visões da marca do meu cliente. E como repertório, sempre terei a arte para me ajudar.

Limites podem ser amigos

Alguns analistas categorizam como tendências algumas práticas que estavam muito mais ligadas à limitações tecnológicas de determinadas épocas do que propriamente uma linha criativa. É  lógico que os logotipos do passado tem uma tendência a se resolverem de maneira teoricamente mais sólida, mais contida que os de hoje.

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Um Cadillac. Feito pra ser clássico do dia em que foi lançado até hoje.

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Outro Cadillac, bem mais novo. Passa mais sofisticação?

Usar cor em determinadas épocas era um problema. Tons de cinza resultavam em retículas estouradas e horríveis. Os processos gráficos não estavam unificados. Fontes pequenas não podiam ser usadas, pois não havia resolução de impressão que permitisse sua leitura. Isso resultou em regras de naming, em logotipos em preto ou duas cores no máximo.

Eram limites que precisaram ser contornados para que as peças sobrevivessem a reproduções que nem sempre poderiam ser supervisionadas de perto. Ainda hoje se pode encontrar grandes anúncios, com conceitos gráficos moderníssimos, realizados (pasmem!) sem Photoshop. E isso eu admiro.

Estabelecer certos limites para si próprio pode agir de modo surpreendente em sua criatividade. Poder fazer qualquer coisa não significa que se deve fazer.

Mais princípios, menos tendências

Ao começar a trabalhar com uma marca, é mais importante ter em mente (ou até melhor, escritas mesmo) quais são os valores que essa marca julga importante do que procurar as próximas tendências para as comunicações que você vai criar para ela. Segure a ansiedade de usar aquele catálogo novo da Pantone.

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Todas as tendências dos quadrinhos nos anos 90 numa imagem só

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Os valores atemporais de Bill Watterson

Os valores e princípios irão durar muito mais, resultar em peças mais fortes, mais resilientes ao tempo e outras intempéries econômicas. Levando essa discussão à fundo, você pode descobrir que um dos valores importantes dessa marca é ser trendsetter. E se for o caso, vá mesmo estudar quais são as novidades do futuro, ou até, tente criar você próprio.

Legibilidade é um princípio? Talvez. Talvez não. O movimento grunge, nos anos 90, foi totalmente legítimo, e diversas bandas, em seus CDs, posters e clips abriram mão de legibilidade, com resultados memoráveis. Nada é sagrado, é só ter o motivo certo pra usar (ou deixar de usar).

Em suma

Comunicar não é simples. Depende da mensagem, do receptor, do espaço de tempo e do geográfico. Da cultura de quem emana, e de quem recebe. Reduzir tantas variáveis em um mero folhear de catálogos de tendências e arriscar demais. Faça escolhas conscientes, e obtenha resultados para quem está pagando pelo seu trabalho.

 

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