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Tag: empreendedorismo

  • Você já faz branding, só que não sabe

    Você já faz branding, só que não sabe

    Quando digo que trabalho com branding, as pessoas olham para mim como se eu tivesse dito que componho músicas usando física quântica. Na maioria das vezes, eu preciso explicar o que diabos é branding, e porque é indispensável para qualquer empresa atualmente.Para entender direito o que é branding, a gente precisa começar com a origem da palavra: brand. Brand é marca em inglês. Marca mesmo, algo que deixa uma impressão. A palavra vem do ato que donos de rebanhos bovinos tinham de marcar a ferro seus animais, para diferenciá-los, para facilitar sua identificação. Da mesma forma que se faz até hoje, usavam um ferro em brasa retorcido com um símbolo escolhido pelo dono do animal.

    Esse exemplo é bom para que comecemos a mudar nossas concepções a respeito de marcas. Na maioria das vezes usamos o termo como substantivo: “essa é minha marca”, “faz uma marca para mim”, “veja a marca da Nike”. Mas nos esquecemos que marca é também um verbo. E é como verbo que o termo branding mais faz sentido.

    Logo não é marca

    Fazer branding não é desenhar um logotipo. O logotipo, e o cartão de visitas, e a fachada da loja são elementos de uma marca. Mas não são a marca.

    A marca é tudo aquilo que cria uma impressão na mente de uma pessoa que tem qualquer tipo de contato com ela. Em termos simples, essa impressão pode ser boa ou má. Mas não apenas isso. Pode ser assertiva, amigável, luxuosa, próxima, inteligente, barata ou cara, pode ser uma infinidade de coisas.

    O trabalho de branding é o de tentar identificar quais impressões você quer que sua marca cause e trabalhar para que seu cliente a perceba dessa forma. Existe concorrência demais no mercado para que você não controle esse aspecto.

    Isso porque na verdade, mesmo que você nunca tenha contratado uma empresa para isso, você já faz branding. Todo empresário e todo empreendimento fazem. É impossível evitar que alguém tenha uma impressão sobre seu negócio quando entra em contato com ele.

    E se por acaso ele não achou nada, isso simplesmente foi uma oportunidade perdida. Uma oportunidade que seu negócio perdeu de deixar uma impressão positiva. Essas oportunidades acontecem o tempo todo.

    Quando um possível cliente liga para seu estabelecimento. Quando visita seu site. Quando pega seu cartão de visitas. Quando é atendido por seu funcionário. Quando olha suas redes sociais. Simplesmente por ter passado na frente da sua loja. Todos esses pontos de contato vão ajudando ele a criar uma imagem do seu negócio. E todas essas impressões vão ter grande impacto quando esse potencial cliente precisar decidir por uma marca para comprar.

    Você é quem deve contar sua história

    Se na hora da compra, ele já tiver, mesmo que sem perceber, uma imagem positiva da sua empresa, com certeza isso vai influenciar sua decisão. Se por outro lado, sua marca nunca impactou de forma nenhuma, ele não tem motivo nenhum para escolhê-la.

    O pior dos cenários é quando, por algum motivo, esse cliente teve uma impressão negativa da sua marca. Se foi mal atendido, se achou mais caro do que esperava, se alguém foi frio com ele, se achou o logotipo feio, se a loja estava bagunçada, se o escritório estava com o cheiro errado. Aí, meu amigo, você perdeu a concorrência, provavelmente para alguém que está investindo na própria marca.

    Minha mensagem é: não deixe sua marca largada ao acaso. Controle o máximo possível a impressão que você deixa junto aos seus potenciais clientes. Crie estratégias para que suas qualidades, e não seus defeitos, sejam percebidos por eles. Ganhe a guerra pelos corações e mentes do seu mercado.

  • Investindo em sua marca no meio da crise

    Investindo em sua marca no meio da crise

    Deixar sua marca ao Deus dará ou fazer de forma amadora podem causar mais danos do que economia.

    Novo governo, desemprego em alta, reforma da previdência encalacrada, uma economia capenga, e para deixar tudo mais complicado, ainda temos distrações multiplas vindo do Twitter presidencial e dos seus filhos.

    Um só desses fatores já poderia influenciar no equilíbrio de qualquer empresa. Todos juntos é um sinal forte para quase todo empresário entrar em alerta laranja. Mesmo que as coisas estejam bem, é bem natural e compreensível que o empreendedor tire o pé do acelerador, nem que seja para conseguir ver um panorama mais detalhado da estrada em que está. O problema é que muitos fazendo isso ao mesmo tempo, e pronto: criamos mais um engarrafamento.

    O brasileiro tem medo de crise. O empresário, que não costuma contar com a ajuda governamental, mas sabe bem que o governo pode atrapalhar bastante quando quer, é gato escaldado, e prefere não ser pêgo de calças curtas. Mas toda essa prudência pode vir com um certo custo. Não conhecemos a abrangência de tempo desses eventos. Deixar de investir em sua marca por 6 meses, deixando em banho Maria pode ser muito mais perigoso do que benéfico.

    É perfeitamente entendível que se prefira cortar grandes produções, grandes eventos, segurar os recursos e garantir que a organização esteja razoavelmente em forma para enfrentar qualquer intempérie. Mas e se os esforços acabarem, por omissão e medo, enfraquecendo a imagem da sua empresa? Desbotando a marca que, durante o tempo de bonança, ficou mais forte e reconhecível, seja pelo investimento que foi feito, seja pela capacidade de vendas aumentada pela economia forte.

    A súbita paralisação desse investimento pode ser pior do que nunca tê-lo feito.

    Tenha um plano

    O ideal é reorganizar e reescalonar suas metas para tempos de crise. Sai a estratégia de crescimento, e dá lugar a uma nova estratégia, de manter e assegurar seu lugar no mercado. Ou, dependendo do fôlego que sua empresa tem em estoque, uma estratégia de avaliar quais concorrentes estão sentindo mais o baque para ampliar mercado. Aproveitar o período para treinar colaboradores, inclusive a como atuar durante a crise. Injetar ânimo na equipe reforçando o orgulho deles de serem parte do time. São diversas opções.

    Em economias mais fortes, a lógica segue o caminho inverso. Você não vê marcas com posições consolidadas gastando demais em promoção e publicidade. Mas quando vêm a crise, todas abrem os cofres e produzem campanhas inesquecíveis. A verdade é que durante as crises, sua competição aumenta, com outras marcas agindo de forma agressiva para pegar aquele seu cliente.

    Crise também é oportunidade

    Durante períodos de tranquilidade, de liderança no mercado, o trabalho de marca se concentra no institucional (sem nunca, jamais cessar por completo), mantendo a percepção positiva na mente de seus clientes.Duas coisas são certas: não investindo nada, as chances de nada acontecer são grandes. E com isso, a possibilidade do eu barquinho virar. E outra, muito importante: contrate um profissional para te ajudar a pensar nisso tudo.

    Nesses momentos é muito comum o empresário achar que, já que ele participou dos processos decisórios sobre design e marca junto com o designer, dá para assumir essa função, mesmo que temporariamente, para economizar. Erro crasso. Dessa forma, é preferivel nem fazer nada, a fazer amadorística e porcamente.

    Economias podem ser feitas trocando ações mais caras por outras mais contidas. Também pode-se optar por uma comunicação mais dirigida, mais focada nos objetivos estratégicos primários. Mas essa economia não precisa ficar explícita em cada peça mal feita que for vista pelo público. Pelo contrário, em períodos incertos, as pessoas preferem se relacionar com marcas sólidas, positivas, que não transparecem o medo do futuro.

    Não deixe que sua empresa se pareça com uma boia furada que é jogada no meio mar revolto para esse cliente. Ele, como todos os outros, está no meio da mesma tempestade, quer se apoiar em algo seguro e firme.

    Sim, prenúncio de crises metem medo em todos. Mas se é inevitável entrar numa briga, melhor fazer alguma musculação antes.