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  • 5 coisas que a Marvel pode ensinar para sua empresa

    5 coisas que a Marvel pode ensinar para sua empresa

    Vingadores: Ultimato estreia mundialmente, e deve bater todos os recordes da indústria… mas todo esse sucesso não é por acaso. E sua empresa pode aprender com as lições da Marvel.

    Não é novidade nenhuma o fato de que vivemos num mundo cada vez mais dividido. Para o bem ou para o mal, as pessoas estão entrincheiradas atrás das suas certezas, das suas simpatias e antipatias. Tudo é motivo para a criação de pequenos campos de batalha.

    Para quem é nerd, a rivalidade Marvel X DC não é nada nova.

    Sempre existiram os Marvetes e os Decenautas. Pessoas que se identificam mais com uma ou com outra editora. Muitas vezes essa escolha partia da forma que a empresa tratava suas propriedades. Outras, porque a companhia possuía aquele personagem que o cara mais curtia. Muitas vezes era guiada pelo time criativo que comandava certos títulos.

    Sempre foi uma treta controlada. Era baseada na venda de gibis em banca, e a balança pendia para um lado em determinadas épocas, para o outro em outras épocas.

    Quando se tratava de cinema ou TV, pelo menos nessa época não havia briga.

    A DC era a campeã absoluta.

    Muito do seu sucesso se devia ao fato que a empresa do Superman era de propriedade da Warner Brothers. Isso facilitava e muito o lançamento das versões cinematográficas dos seus personagens.

    Por causa disso tínhamos os filmes do Superman com Chris Reeves, os Batmans de Tim Burton e Schumacher (que, para o bem ou para o mal, eram grandes produções).

    O mesmo não podia ser dito da Marvel. Com a grana contada, as vendas de quadrinhos capengando, a editora vendia direitos de adaptação de seus herois pra qualquer um que pagasse uma mariola pro tio Stan. E isso gerou alguns dos piores filmes de heroi de todos os tempos. Nem para rir serviam.

    Isso começou definitivamente a mudar com a estreia de Homem de Ferro. Sim, tivemos outros filmes baseados em quadrinhos antes, mas esta foi primeira produção assinada com o selo Marvel (que ainda não era da Disney), e a primeira que apontou para a criação de um universo compartilhado no cinema, onde os filmes estavam todos de alguma forma conectados, e os personagens apareciam de forma transversal em vários filmes.

    A Warner/DC num primeiro momento não se sentiu intimidada. Para dizer a verdade, a DC ignorou a estratégia o quanto pôde. Até que o tamanho da Marvel e a cobrança dos fãs deixou impossível de fingir que não eram vistos.

    Desde o lançamento de Homem de Aço a empresa vem tentando repetir o sucesso da competidora. E vem perdendo todas as brigas que entrou até o momento. Atualmente, depois do sucesso de Mulher Maravilha e Aquaman, a DC parece estar apostando num approach “universo compartilhado soft”. Algo como, ele existe, mas a gente não fala nele.

    Mas o que isso tem a ver com o sua empresa?

    Bom, o que está por trás dessa mega batalha campal é muito mais do que simplesmente “ser melhor” ou ter melhores personagens. São as estratégias de marca. Algumas muito certeiras, outras muito erradas.

    Nesse artigo vamos tentar mostrar algumas, e como elas podem fazer sentido para áreas que não tem nada a ver com quadrinhos ou cinema.

    1) A Marvel fez primeiro

    Ser o primeiro em seu segmento faz toda a diferença. É muito mais difícil derrubar alguém do posto que ocupa do que chegar lá antes de todo mundo. A Marvel não era a maior produtora de filmes de super heroi quando decidiu lançar Homem de Ferro. A DC tinha sucessos consideráveis na manga, como os filmes do Batman de Christopher Nolan.

    Já que não eram os maiores nesse quesito, a Marvel resolveu criar um só pra si. E da noite pro dia se transformaram no maior universo compartilhado da história do cinema. Até porque eram o único.

    De lá pra cá, não foi somente a DC que quis surfar nessa ideia. A franquia Transformers está querendo algo do gênero, a Universal lançou (e enterrou) seu Dark Universe, Fantastic Beasts é a realização do universo Harry Potter.

    Nenhuma dessas iniciativas alcançou o sucesso da primeira.

    Para o seu negócio: encontre qual é a categoria em que a sua empresa é a melhor. A primeira. A maior. Se não encontrar essa categoria, crie uma.

    2) A Marvel faz com consistência

    Marvel Studios’ AVENGERS: ENDGAME..L to R: Hawkeye/Clint Barton (Jeremy Renner), War Machine/James Rhodey (Don Cheadle), Iron Man/Tony Stark (Robert Downey Jr.), Captain America/Steve Rogers (Chris Evans), Nebula (Karen Gillan), Rocket (voiced by Bradley Cooper), Ant-Man/Scott Lang (Paul Rudd) and Black Widow/Natasha Romanoff (Scarlett Johansson)..Photo: Film Frame..©Marvel Studios 2019

    Desde que abraçou essa causa, a Marvel não desviou a rota. Cada filme coloca uma nova peça em seu quebra cabeças. Cada filme avança em direção em uma nova fase. Filmes enormes culminam em fins de fases. Filmes menores servem como tubos de ensaio para novos personagens.

    Olhados em grupo, é impressionante como os filmes, mesmo sendo muito diferentes entre si,  mantém pontos-chave de conexão, que faz com que seus expectadores sintam-se familiarizados em qualquer um deles. É uma máquina funcionando a pleno vapor.

    Na comparação, a DC parece não ter encontrado o ponto até hoje. Man of Steel tinha muito da visão de Christopher Nolan. Batman vs Superman era Zack Snyder até o osso. Esquadrão Suicida foi uma zona. Mulher Maravilha acertou em quase tudo, mas aí vem Liga da Justiça, e tá tudo meio misturado. Ora se vê a mão de Joss Whedon, ora a Zack Snyder.

    Para o seu negócio: Decida qual é a sua linha de comunicação e mantenha-se dentro dela. Seus clientes precisam saber quais são os valores de sua empresa. Seu tom de voz e a forma de se apresentar devem causar conforto para quem compra sua marca. Correções de rumo devem ser pensadas e sutis.

    3) A Marvel sabe encontrar e reter talentos

    É difícil enganar muita gente ao mesmo tempo. Quando se olha o panteão de astros que a Marvel reuniu ou criou, é difícil não achar que eles estão se divertindo tanto ou mais do que nós ao vermos os filmes. Nas suas aparições públicas os atores parecem realmente amigos, e parecem estar satisfeitíssimos por estarem ali.

    Robert Downey Jr., hoje o ator mais bem pago do mundo, já ameaçou pendurar a armadura algumas vezes, mas antes de suas declarações se transformarem em notícia, a Marvel vêm a público e tranquiliza todo mundo, assinando mais um contrato com o cara. Além disso, Downey parece saber que deve à Marvel a posição que se encontra hoje. Ele parece grato à empresa que apostou nele quando ninguém estava fazendo isso.

    A Marvel acertou grande em várias contratações. Ninguém sabia quem era Chris Hemsworth antes de Thor. Paul Rudd era um ator de comédias românticas simples antes de Homem Formiga. Ninguém apostaria no gordinho Chris Pratt como ator de ação antes de Guardiões da Galáxia.

    Isso para não falar dos diretores. John Favreau vinha de comédias independentes. Os irmãos Russo eram diretores de segunda unidade. John Watts, do novo Homem Aranha, tinha poucos filmes indie no currículo. Vão se tornando estrelas de primeira grandeza, e têm à Marvel para agradecer.

    Do lado da concorrência, ninguém parece conseguir fazer Ben Affleck parecer genuinamente feliz por ser o Batman, tanto que ele resolveu pendurar a capa. As filmagens de todos juntos são dolorosamente encenadas.

    Existem acertos, como Gal Gadot, Ezra Miller e Jason Momoa. Mas Ray Fisher, o ciborgue, não parece ter carisma no nível necessário para levar um filme solo.

    Para o seu negócio: Invista em seus funcionários. Contrate gente que partilhe os ideais da sua empresa, e faça o possível para mantê-los felizes. Eles podem fazer o difícil trabalho de carregar a empresa nos ombros junto com você.

    4) A Marvel sabe fazer Relações Públicas

    Não é que a Marvel seja à prova de falhas. Mas mesmo quando crises de verdade acontecem, como a saída de Edgar Wright da direção de Ant-Man, elas são gerenciadas com a maior discrição possível, e a máquina é colocada para andar novamente em dois tempos.

    Ninguém jamais fica sabendo notícias negativas de dentro das filmagens.

    Os anúncios dos filmes são feitos de forma assertiva, e dificilmente existe mudança de calendário e cancelamento de filmes.

    Por outro lado, qualquer oportunidade de mostrar os atores, produtores e personagens sob uma luz positiva é aproveitada. Kevin Feige nunca agrediu a concorrência, e pelo contrário, vive dizendo que está excitado pelo próximo filme da DC.

    Do lado da editora de Batman, sempre ficamos sabendo das diferenças criativas entre diretores e produtores. Filmes são anunciados, cancelados ou postergados. Existe uma preocupação em guardar segredos que fazem subir o nível de antecipação e ansiedade, e quase sempre quando um anúncio oficial é feito, ele gera mais desilusão do que festa.

    Para o seu negócio: Controle as informações do seu empreendimento. Olho nas fofocas, e em todo tipo de burburinho mal planejado. A imagem da sua empresa vai muito além do logotipo bonito. É o que as pessoas vêem nela que realmente importa.

    5) A Marvel está constantemente ali

    Desde que lançou a semente para Vingadores, a Marvel consegue a proeza de estar nos corações e mentes dos fãs com uma frequência incrível. A empresa sabe dosar muito bem o fluxo de notícias, lançamentos e aparições dos astros.

    Às vezes é apenas como a divulgação de uma arte conceitual. Ou a contratação de um ator. Participação numa feira de quadrinhos. Mas sempre está ali, a marca sempre na altura dos olhos.

    A DC sempre apostou no segredo como tempêro para sua publicidade. Poucas e parcas fotos dos bastidores vazam das produções. Poucas informações são reveladas. Mas estranhamente, há um mês do lançamento de qualquer filme, eles liberam 200 trailers e clips que geralmente contam a história inteira. Em Liga da Justiça melhoraram um pouco. Mas antes do filme do Aquaman pouquíssima coisa foi divulgada, e pouco antes da estreia, lançaram um trailer de quase 4 munutos.

    Já a Marvel, para o lançamento de Avengers: Endgame, resolveram editar trailers que não contam quase nada da trama, e está fazendo campanha para que fãs não soltem spoilers sobre o filme.

    Para o seu negócio: mantenha o relacionamento com seu público. Use suas redes sociais. Mantenha-o atualizado sobre suas conquistas e novidades. Fale diretamente com seus clientes. Responda suas dúvidas. Esteja próximo.

  • Cartazes de filmes: é muito mais do que arte

    Cartazes de filmes: é muito mais do que arte

    Quando vender um produto é a finalidade, nada é aleatório, nada é decidido sem critério.

    Algumas iniciativas de branding nos acompanham desde sempre, e a gente nem sempre presta atenção.

    Uma das peças de design que eu mais gosto são os pôsteres de filmes. Mesmo com a massificação das mídias eletrônicas, o formato ficou eternizado, e resiste desde que o cinema é cinema. As vezes a gente só tem contato com um pôster pela tela do computador, mas mesmo assim, não se promove um filme sem ter um.

    Com tanto tempo de venda de um produto, as produtoras de filmes acabaram ficando extremamente eficazes na atividade de produzir cartazes. Por isso, mesmo que a gente não note, os pôsteres seguem padrões que não tem nada de aleatórios.

    Esse video, produzido pela revista Vanity Fair, mostra um designer de cartazes de filme explicando o que está por trás da grande maioria dos filmes lançados nos Estados Unidos. É fantástico.

    Deixando claro: design não é arte

    Isso tem um lado decepcionante, sim. Quando você percebe as semelhanças entre as peças, pode sentir que eles não usam toda a criatividade. Porém, isso reforça aquilo que sempre repito: DESIGN NÃO É ARTE.

    Design (e branding, como parte do todo), é uma atividade cujo objetivo final é uma compra.  A Arte deve incitar uma reflexão, uma emoção, um estado de espírito. São coisas bem diferentes, apesar de que design com certeza bebe na fonte da arte para se atualizar.

    Por isso, quando um empresário contrata um designer para criar peças de branding para seu negócio, deve estar mais atento ao pensamento estratégico, como o que vemos o especialista nesse vídeo explicar. Nada pode ser aleatório quando se está vendendo um produto que é tão caro quanto um filme. Muito está em jogo.

    Quando se faz uma escolha deste nível, não podemos nos ater a critérios tão subjetivos quando “não gosto de laranja com azul”, ou “minha esposa achou que não é bonito”. Se a solução oferecida resolve o problema que você tem, ela é a mais correta.

    Confiram o vídeo, que está em inglês.