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Autor: Propositto

  • Pequenas empresas e design.

    Pequenas empresas e design.

    Uma relação que precisa evoluir.

    A pouco tempo visitei um prospect (cujo nome não vou revelar por motivos óbvios) que ilustra aquilo que gostaria de tratar nesse post.

    O empresário é um pequeno fabricante de produtos alimentícios da região. Ao saber que tenho um estúdio de design, me chamou imediatamente, pois “precisava muito dos meus serviços”.

    O proprietário é um senhor de forte personalidade, que está a muito tempo na área, e sabe muito a respeito do próprio negócio. Tive uma excelente impressão de sua fábrica. Tudo excepcionalmente limpo, claro. Me explicou que montou seu negócio com o que há de melhor. Me mostrou fornos importados, maquinário de primeira. Disse que treinou seu pessoal. Contou planos de expansão. Ao me explicar que faz eventos e monta restaurantes itinerários, disse que não é mesmo a opção mais barata, por que serve coisa boa.

    “Já tenho uma pessoa que faz esse serviço de design para mim”, explicou. “Mas não está me atendendo bem. Eu peço uma coisa, ela demora, trava. Não me dá prioridade”. Me pediu orçamento para um pacote de serviços, com urgência, o que fiz prontamente.

    Dias e dias depois, como não tive retorno dele, retomei o contato, para saber se houve algum problema. Sem muitos rodeios ele disparou: “Achei caro, Rodrigo”.

    Argumentei que não era um pacote pequeno. Que haviam várias horas de trabalho envolvidas, que poderíamos conversar e rever as expectativas dele. Não teve muita conversa. Aparentemente, ele voltou a achar seu primeiro fornecedor (aquele que não o estava atendendo bem) uma opção mais viável.

    Devo reconhecer que não sou o profissional mais barato do mercado. Nem quero ser. Não sou saco de cimento, ninguém me compra a quilo. Porém, estou longe de ser o mais caro. Como tenho uma estrutura enxuta, com poucos gastos,  consigo manter um valor que considero justo, e até atraente.

    A atitude do cliente está longe de ser algo isolado. Se estudarmos, poderemos entender o que está por trás, sem julgá-lo , sem demonizá-lo.

    O pequeno empresário começou agora a perceber que precisa de design para sua empresa ser percebida. Isso é novo pra ele. Até pouco tempo, nem isso havia. Mas está entrando em seu sistema como uma obrigação. Um passo para se tirar da frente, assim como o contador e local de atendimento. Ele ainda não enxerga o design como peça fundamental no processo de construção de sua marca. Aliás, o conceito de possuir, ser dono de uma marca (e não somente de uma empresa) ainda não tocou o sino na cabeça do pequeno empresário brasileiro.

    As grandes empresas, que são donas de grandes marcas, ja atentaram para essa realidade há algum tempo. Vemos casos de branding cada vez mais complexos, mais assertivos. Vemos empresas contratando CEOs que, à exemplo de Steve Jobs, têm senso estético apurado e bom trânsito com as áreas de marketing e criação.

    Nas pequenas e médias empresas, no entanto, o que vemos é um distanciamento, um certo medo de confiar num designer, e uma atitude um tanto receosa quanto à esse profissional. Como se o empresário quisesse tirar logo essa etapa da frente. É comum ouvir dizer: “preciso do logo pra poder fazer cartão e começar a vender”. É como um tiro certo, mas fora do alvo. A empresa precisa sim, do logo, mas pensa nele como uma peça apartada. Como um processo separado do que a empresa é, não como parte de um processo que ajuda o empresário a definir suas metas e identidade.

    Por isso, quando faz uma análise do profissional que vai escolher, acaba com o mais barato, ou soluções de crowsourcing, ou pior ainda, com o sobrinho mesmo. Afinal, é só uma “marquinha” que ele precisa, a loja (ou empresa) já está pronta, ele já tem os profissionais. Na cabeça desse profissional, aquele  símbolo não representa mais do que algo bonitinho na fachada ou no cartão.

    Na verdade, se analisarmos o mercado internacional, veremos que a situação é inversa. As grandes empresas investem quantias absurdas de dinheiro, é bem verdade. Mas justamente por estarem atreladas a compromissos com acionistas, conselhos enormes de diretores, com linha gigantes de produtos, todas as decisões tem a tendência de seguir por caminhos considerados seguros, e por consequência, com pouca inovação.

    A grande ruptura, as ações mais inventivas e surpreendentes vêm das pequenas e médias. Por poderem experimentar, podem ousar. Podem tentar, e se não der certo, corrigir o rumo. Uma grande empresa raramente tem essa oportunidade.

    São as pequenas empresas que mais interferem na paisagem urbana. A mudança de patamar visual nessas empresas faria muito mais bem às cidades do que qualquer projeto “Cidade Limpa”.

    Pequenas empresas podem investir num relacionamento com seu designer muito especial. Onde aquele que te atende é o mesmo que sentará ao computador para desenvolver sua ação de marca. Onde o proprietário do estúdio pode visitá-lo pessoalmente, discutir com profundidade os rumos que pretende tomar. Ao ser atendido por uma grande agência, isso não vai mais acontecer. Via de regra, o empresário não terá contato com quem está cuidando de seu material.

    Creio que o pequeno empresário brasileiro ainda acordará para essa realidade. Ainda verá o grande aliado que um bom design pode ser para seu negócio. E então, ele deixará de ver o design como um custo, e passará a ver como um investimento.

    Empresas, designers e sociedade ganharão muito quando este dia chegar.

    (As imagens desse post são de pequenas empresas do exterior que estão fazendo coisas bacanas em termos de design. Claro que existem empresas assim no Brasil, mas a facilidade de encontrá-las lá fora é bem maior…)

  • Internet melhora o trânsito?

    Internet melhora o trânsito?

    O que internet mais barata e de melhor qualidade tem a ver com sustentabilidade? Mais do que pensamos à primeira vista.

    O governo e as grandes empresas guardam consigo soluções para problemas que atingem a eles próprios, e insistem em ações simplórias, repetitivoas, sempre com base na lei no menor esforço.

    Acabamos de ter a notícia que o Ministério da Fazenda vai novamente baixar a alíquota de carros para estimular sua venda. Não sei mais a eficácia de uma medida desse tipo. Quem já se endividou para comprar carro no ano passado vai fazer de novo? Tem tanta gente sem carro assim?

    O estímulo em si não é uma medida ruim. Mas o governo pode escolher o que vai apoiar. Por que não apoiar, a exemplo de outros países, a produção de carros  bem menores, de dois lugares, com motores muito econômicos e pouco poluentes, e com altas doses de inovação? De preferência com tecnologia criada no Brasil!

    Estaríamos andando na direção certa em vários quesitos. Menos poluição, diminuição de engarrafamentos, pessoas trocando motos por carros (menos mortes) e estímulos a criadores e produtos brasileiros. Sem construir um centímetro de metrô, sem desapropriar uma casa. Isso porque nem falei carros elétricos. Lógico, isso atrapalharia a margem de lucro pornográfica das montadoras, e a Petrobrás não tem muito interesse em carros econômicos.

    O problema é não enxergar além do próprio nariz, não ver conexões em pontos que parecem distantes, mas estão interligados.

    Outro exemplo. As indústrias fonográficas e de entretenimento gastam fortunas tentando coibir a pirataria. A face mais visível e mais impactante dessa modalidade são as banquinhas de filmes e CDs que estão por todo o lugar na cidade. Sujam as ruas, ocupam espaço, agridem visualmente.

    A solução mais utilizada é o uso da força policial, levando àquela famosa correria no centro da cidade, enfrentamentos constantes, e que no fim, não vale de nada. No dia seguinte as bancas estão todas lá.

    A solução para esse problema está a milhas de lá, na casa de todo mundo, dentro das operadoras de telefone, que comandam a oferta do serviço (porco) de internet que o Brasil tem.

    A pessoa que compra filmes piratas, faz por motivos bem simples. Oferta fácil e abundante, daquilo que ele quer ver, com lançamentos antes mesmo do que pelos meios oficiais. Preços bons (um DVD pirata é mais barato do que o aluguel do mesmo produto em uma locadora, e ele nem tem que devolver).

    Se o cidadão tivesse uma internet barata e de boa qualidade, e com o estímulo correto, com certeza uma boa parcela trocaria a compra desses DVDs e CDs por assinaturas de serviços de locação online, que já não são muito caros, mas que, com escala, poderiam ser ainda mais baratos. Por que é mais pratico, mais limpo, e porque no fundo, todos querem fazer a coisa certa.

    Mas o que temos é o contrário. Nossa internet, nosso 3G é um dos piores e mais caros do mundo. As agências reguladoras, que poderiam fazer a pressão pra mudar o cenário, são meros cabides de empregos. Por outro lado, para alguém adquirir um filme original, vai pagar os olhos da cara. A indústria fonográfica insiste em valores abusivos. E a experiência para o usuário é muito próxima da sua versão pirateada.

    Ou seja, como no caso das drogas, enquanto houver demanda, vai haver oferta.

    Aliás, o caso da internet poderia ajudar também em questões de mobilidade urbana e sustentabilidade. Com um serviço rápido e confiável, quantas pessoas poderiam trabalhar em sistema home-office, mesmo que em alguns dias da semana?

    O que o design tem a ver com tudo isso?

    Muito. Penso que essas soluções não aparecem porque o olhar daqueles que estão ocupando os cargos que decidem esses assuntos não é treinado para ver o que um designer vê.

    A verdade é que as reuniões onde esse tipo de assunto é decidido são formadas por profissionais com visões muito similares. Não há vez para a voz dissonante, para as soluções diferentes.

    As cúpulas administrativas das organizações ainda não dão vez para os criativos, especialmente aqui no Brasil. E elas próprias sofrem os efeitos dessa escolha. Companhias que abriram os olhos para essa realidade estão lucrando com isso. Não precisamos nem citar a Apple, que é o símbolo máximo dessa atitude.

    Empresas como a Ideo são contratadas a peso de ouro para repensar produtos e processos, no chamado “Design Thinking”. O trabalho deles é sensacional. Mas para várias organizações, nem seria necessário. Afinal de contas, design é, no aspecto final, “projeto”. Ter um bom designer na mesa (e deixá-lo falar), durante uma reunião que não tem nada a ver com design, pode ter um resultado surpreendente, se sua empresa mantiver a cabeça aberta.

    Mas aí, preciso ser sincero, seu sobrinho que mexe no Corel vai ajudar pouco.

  • Investir em Redes Sociais?

    Investir em Redes Sociais?

    Falar sobre Social Media para empresas hoje em dia é quase mantra de todo projeto de branding. Todo mundo quer, todo mundo acha que pode. Todo mundo acha que é muito fácil de lidar.

    Realmente, poucas coisas são mais fáceis do que fazer uma fan page no Facebook e começar a convidar gente para curtir. O número de “amigos” da sua marca pode subir muito rapidamente, dando aquela sensação de sucesso. Mas qual é realmente a vantagem que uma marca tem em se inserir em mídias sociais?

    Na verdade, existe uma pergunta que precisa ser respondida antes de se começar todo esse processo: “O que eu espero de retorno do investimento em redes sociais?”

    Muitos clientes me perguntam se devem investir em blogs, Facebook e Twitter. Minha resposta é sempre: “é bom, se você vai ter tempo de qualidade para investir. Caso contrário, nem perca seu tempo”.

    Antes de mais nada é preciso se atentar a certas realidades. Facebook, Twitter, Google+, Orkut, seja em qual rede você pretende investir, todas elas são baseadas em relacionamento. Essa palavra é importantíssima quando se pretende agregar pessoas em torno da sua marca. Se for para ter uma vitrine virtual, um site é melhor e mais apropriado para o trabalho. Se você não tem tempo, talento ou vontade de administrar um blog, é melhor não tê-lo.

    Tenho visto algumas empresas recorrerem a um tipo de profissional que surgiu recentemente, chamado “ativadores de redes sociais”. Sei que tem gente séria no segmento. E empresas grandes, com enormes fluxos de informação precisam de ajuda especializada para lidar com suas demandas. Mas se você tem um pequeno negócio, essas empresas são verdadeiros furos n’água.

    Veja, elas te conseguem um monte de seguidores, é verdade. Mas o intuito principal não cumprem, que é criar uma relação entre você, e seu cliente (ou potencial). Toda rede é uma via de mão dupla. Você se expõe (ou a seu produto) e recebe o feedback. De que adianta você ter recido dois mil “curtir” no eu produto e receber comentários bacanas, se quando o cliente vai a sua loja você não vai reconhecê-lo, porque não é você que administra a sua própria personalidade digital? Elogios e reclamações são ótimos, mas somente se  você puder usá-los para influenciar as próximas compras para sua loja, adaptações em produtos que você fabrica ou promoções. Esse é o verdadeiro tesouro a se tirar do seu relacionamento com o cliente. Não o tercerize.

    O que sinto é que mesmo as empresas grandes ainda não chegaram a uma fórmula sobre como proceder.

    Alguns casos gritantes me vêm a mente agora. O perfil da Claro no Facebook é um exemplo. Vale a pena perder um tempo para ler os  comentários dos usuários da sua página. Chutando com boa vontade, 98% são reclamações, testemunhos de clientes dizendo que o serviço não funciona, que tem problemas com o atendimento, que odeiam a marca. E o pior, a Claro não se dá ao trabalho de tentar responder as questões. A página trabalha contra a marca.

    E as estratégias furadas não se restringem ao Facebook. Recentemente, a Shell lançou uma campanha digital, com o objetivo de envolver os consumidores no orgulho que ela tem em extrair petróleo no Ártico. Para isso, pediu que os internautas criassem anúncios sobre fotos que eles disponibilizaram. Primeiro, alguém teve a brilhante ideia de não dar prêmio nenhum, apenas dizendo que os melhores anúncios seriam impressos. Depois, ignorou o quanto o Ártico é representativo quando se trata de questões ambientais.

    O resultado não podia ser outro: páginas e mais páginas de pessoas exaltando o quanto a empresa é negligente com o meio ambiente, e o quanto ela vai acabar com o Ártico. Um dos internautas submeteu um slogan genial, que ressalta bem o quanto essa campanha está toda errada.

    O que funciona?

    É bom manter sempre em mente que investir em redes sociais não faz seu produto ou serviço melhor, mais atrativo ou mais fácil de comprar. Então cuide dessa parte. Uma marca precisa ser bem trabalhada fora das redes para que seja bem vista dentro dela. Afinal, as redes cibernéticas são reflexos das redes reais.

    Pegue o exemplo da Harley Davidson, uma das marcas que atraem tanto que seus usuários querem tatuá-las no peito. A página da Harley no Facebook é um sonho para qualquer analista. Só tem elogios.

    Use a rede como uma forma de ouvir seu cliente. Responda. Aceite críticas. Seja educado, agradável. São todos conselhos que uma mãe daria a um filho que vai na casa de amigos pela primeira vez. Mas funcionam.

    Dentro do possível, participe ativamente, saiba quem são seus clientes. Delegar esse ativo para as mãos de quem você mal conhece é como dar uma bomba para um bebê tomar conta. Com a diferença que, se a bomba explodir, ela milagrosamente explode no seu colo.

  • A Apple na Encruzilhada

    A Apple na Encruzilhada

    Quando se fala em gestão de marca, algumas empresas vêm sempre na dianteira. Goste ou não goste da marca, qualquer profissional da área tem que reconhecer que, de uns tempos para cá, a Apple tem sido impecável na condução de sua marca. Não é a toa que chegou onde chegou.

    Boa parte desse sucesso se deve ao perfeccionismo e dedicação quase insanos de Steve Jobs. Com ele, a Apple imprimiu na mente de milhões de pessoas uma imagem de empresa inovadora, que produz produtos bonitos, simples e duráveis. Os conceitos de estética e usabilidade de Jobs estiveram impressos profundamente em cada peça dos produtos da empresa. Mais do que isso. Ele conseguiu criar uma linguagem para apresentar esses produtos. Seus keynotes se transformaram em acontecimentos relevantes para toda a indústria.

    Cada vez que Steve Jobs anunciava que subiria ao palco para fazer algum anúncio, fãs, repórteres e a concorrência paravam de respirar. Qual seria o coelho que o homem tiraria da cartola? Qual o tamanho do gol?

    Bom, como todos sabem, Jobs se foi. E deixou a ingrata tarefa de substiuí-lo para Tim Cook. Que tem se esforçado para manter a bola em jogo.

    Mas não é fácil andar usando os sapatos de outra pessoa.

    O último evento da Apple, onde apresentaram o  esperado iPhone 5, foi o mais decepcionante dos últimos tempos. Dizer que um evento que movimentou sozinho a imprensa do mundo todo e que gerou a compra de 5 milhões de aparelhos logo após foi um fracasso seria uma afirmação de maluco. Na verdade, o evento apenas acendeu uma luz amarela, que se a Apple tiver juízo, já deve ter percebido.

    A verdade é que a Apple tem muito gás pra queimar. Mas o posto que ocupa atualmente é muito dificil de manter. E perder a liderança a essa altura do campeonato pode significar perder o segundo lugar também, rápidamente. Pergunte a empresas como a Nokia, Motorola e Microsoft, que já estiveram lá, e que hoje lutam para recuperar a imagem que tiveram. Algumas apostas erradas e anos de trabalho podem ir para o ralo, de uma hora para outra.

    Quais são os sintomas?

    Quando se trata de uma marca já estabelecida, raramente uma doença é tão fulminante que leva a morte instantânea. É um processo lento, que começa com poucos indicativos, mas que se entra em larga escala, contamina toda a organização.

    Por enquanto, são leves mudanças no cenário. Mas se a Apple desmerecê-las, pode pagar um preço alto:

    O Custo da Expectativa

    A Apple vem surpreendendo sempre, em todas as suas apresentações. Quando não era uma coisa, era outra. Quando seu celular não chamava a atenção, um componente de software o fazia. Quando não tinha um produto novo, mudava radicalmente um antigo. Não foi o que ocorreu desta vez. Apresentaram um iPhone que tem pouca coisa de novo. São mudanças incrementais que, fora o tamanho da tela, não justificariam um auê tão grande. Mais grave, o produto final é nitidamente inferior ao seu concorrente direto, coisa que não é comum na empresa.

    O que deveriam ter feito? Não lançado o produto?

    Não creio. Muito tempo sem um produto novo no mercado não combina com a aceleração da tecnologia de hoje. Talvez mais acertado seria lançar de maneira mais contida, num evento menor ou talvez direto para as prateleiras. Mesmo que o nome não fosse um iPhone 5. Que soltassem o produto com o nome de 4S alguma coisa.

    O próprio iPad passa por um problema parecido. A última versão do tablet apresentou muito poucas novidade além da linda tela retina display.

    Ao longo do tempo, a Apple acostumou o mercado com apresentações grandiloquentes e anúncios espetaculares. Manter o monstro da expectativa sob controle, exceder as previsões não é algo que se consegue facilmente.

    A Apple não é só iPhone

    O mercado de celulares mudou depois da chegada do iPhone. Mas a Apple já vinha numa curva ascendente antes dele. Com os iMacs, Macbooks e com os softwares, ela sempre surpreendeu.

    O Mac OsX é, pelo menos para mim, um marco no lançamento dos sistemas operacionais. Me lembro como se fosse hoje da cara de espanto da plateia ao ver os ícones que pareciam gel, as janelas que se contraíam para expandir a velocidade absurda do sistema, quando vi a apresentação pela primeira vez, num evento.

    Já se passaram 11 anos desde esse lançamento, e ainda estamos na mesma versão 10 do aplicativo. Lógico, ele foi muito melhorado, mas a essência é a mesma. E o Windows 8 (deixando claro, não vi ainda como ele se sai no dia-a-dia  de uma empresa) tem mais cara de novo. Cheira a novidade, traz soluções diferentes.

    Os iMacs não mudam grande coisa há algum tempo também. Por um lado, para proprietários desses micros, é bom, poisé um sinal que eles sobrevivem bem à política de obsolescência programada que a própria Apple usa em seus outros produtos. Mas para o mercado é uma grande âncora. E dá a impressão de que os esforços da companhia estão todos em outra área.

    Meu bem, meu mal.

    Por fim, um problema controverso.

    Ao longo dos anos a Apple construiu um público que toda empresa gostaria de ter. Fiel, apaixonado, pronto para defender sua paixão pelos produtos como se fosse uma religião.

    Durante um bom tempo, esse publico foi identificado (e ajudado pelo marketing da própria empresa) como sendo pessoas sofisticadas, tranquilas e descoladas. A campanha da Apple trazia um sujeito ultra cool usando os produtos Apple em contrapartida com um gordinho trapalhão, que era a síntese do usuário de PC.

    Enquanto esse público esteve em minoria, foi fácil, e até salutar, manter esse estereótipo. O usuário sentia-se como parte de um clube. Como se fosse um dos poucos escolhidos para partilhar um segredo muito importante.

    Quando a maioria do público passa a se sentir assim, a história vira. Todo mundo que comprou um iPod, um Iphone, um iPad ( e não foi pouca gente ) passou a se sentir possuidor por direito do rótulo de MacLover.

    Enquanto os aparelhos apareciam nas mãos de designers, icones da moda, escritores e “formadores de opinião”, era bacana carregar esse rótulo. Agora, me parece que lentamente, está deixando de ser…

    Pagar mais um aparelho quase igual ao anterior? Não é cool.

    Dormir na fila para ser o primeiro a comprar um celular que vai custar 99 dolares daqui há um ano? Definitivamente não é cool.

    Processar a torto e a direito companhias que estão fazendo produtos legais apenas por motivos comerciais? Nem um pouco cool.

    O rótulo de Apple User tem perdido o brilho. Alguns usuários antigos estão preferindo se mostrar abertos a outras marcas do que ostentar títulos como Macfag ou coisa pior.

    A concorrência já sacou isso, e está se movendo de maneira diferente. A Samsung está apostando na comparação direta (os anúncios do Galaxy S3 são excelentes), na integração que pode oferecer por ser uma empresa que produz produtos tão distintos e na abertura que o sistema Android oferece para contra atacar. Além disso, como a Samsung lança seus produtos sem muito estardalhaço, algum fracassos no caminho não são percebidos como “bolas fora”. O Galaxy Note, que eu jurava que não funcionaria, caiu nas graças de uma parcela da população. Não me lembro de um evento feito somente para promover esse produto.

    A Microsoft está construindo um público absurdamente envolvido com sua plafatorma do Xbox Live. Gente que se loga todos os dias, se relaciona de um modo inédito e resolve vários problemas na frente da TV. Não se assuste se a plataforma chegar ao mobile de alguma maneira muito diferente em pouco tempo.

    O Google vem sendo visto como um inimigo pela Apple, e faz questão de fingir que não percebeu. Devem estar rindo de uma orelha a outra com as reações negativas ao sistema de mapas da Apple. Seu Google Plus, no começo visto como uma piada, vem aumentando consideravelmente. Quem sabe o que o futuro reserva. Eles, como a Samsung, não tem medo de colocar no ar algo em modo beta, testar, e se não der certo, arrancar de lá.

    Talvez a Apple precise se lembrar um pouco do seu espírito de empresa que nasceu na garagem. Que preferia ser pirata do que bucaneira. Que experimentava.

    A Apple não precisa ter medo de suas falhas. Precisa é reaprender a errar.

  • Que tipo de futuro as empresas estão buscando?

    Que tipo de futuro as empresas estão buscando?

    Algumas grandes corporações com foco em tecnologia costumam, de tempos em tempos, produzir vídeos com seus conceitos de futuro. Na verdade, são projeções feitas por seus laboratórios de pesquisa, indicando possibilidades que seus produtos podem alcançar. Isso, provavelmente veio da indústria automobilística, que sempre produziu seus carros conceito para exibir em salões de automóveis pelo mundo.

    A grande diferença é que o carro exibido não é uma abstração. É uma realidade, só que produzido com peças e componentes que ainda não tem penetração no mercado suficiente que justifique sua manufatura em larga escala. Já os vídeos são efeitos especiais produzidos para impressionar. E via de regra, são muito bacanas.

    O que chama a atenção é o uso de efeitos digitais de maneira contida, feitos para parecerem reais. Via de regra mostram futuros aprazíveis, onde o homem usa a tecnologia com prazer e com qualidade de vida. O primeiro vídeo que eu me lembro de ter visto com essa temática é da gigante inglesa de comunicações Vodafone. Infelizmente não o encontrei disponível mais, apenas algumas imagens. Mostrava basicamente interações de pessoas através de dispositivos, como carros, vitrines, relógios e papel digital. Interessante notar que, de alguma maneira, algumas previsões já estão se confirmando.

    Depois veio o da Microsoft, com previsões para 2019. Que está logo ali, daqui há 5 anos. O conceito da Microsoft é bem pé no chão, e não é difícil acreditar que aquelas coisas existirão.

    Tem também este video da Airbus especulando sobre como será voar em 2050. Mais duro, todo em CGI, mas bem feito e bacana.