Como você redesenhar uma das peças de design de embalagem mais onipresentes e reconhecíveis do mundo sem comprometer sua distinção? No caso do novo redesenho mínimo da Coca-Cola, parece que a resposta é: mova o logotipo um pouco para cima.
O primeiro redesenho de embalagem da empresa desde 2016 exibiu os icônicos logotipos Coca-Cola e Diet Coke no topo da lata, deixando algum espaço negativo ousado no meio. É um design bem minimalista – mas espere até ouvir o que a elevação dos ativos da marca da empresa supostamente representa.
Imagem: Coca Cola
De acordo com a Design Week, a equipe interna de design global da Coca-Cola (com sede em Atlanta, EUA) colaborou com Kenyon Weston no novo visual, que faz parte da estratégia ‘One Brand’ da empresa, projetada para “fornecer um visual simples e intuitivo sistema de navegação que transmite todas as variantes da Coca-Cola “.
O redesenho minimalista também viu a equipe retirar a desordem visual da embalagem. “Elementos inadequados”, como o disco vermelho e a linha de onda que antes envolvia a lata, agora foram cortados.
Embora seja certamente um redesenho limpo e simples, a própria descrição da Coca-Cola é tudo menos isso. A empresa é lírica sobre vários aspectos, incluindo o tom vermelho vivo das latas, que “sinaliza autêntico, delicioso e refrescante”. Mas o tratamento mais poético é reservado para o logotipo em relevo – uma “metáfora visual” para o “potencial edificante” dos produtos da Coca-Cola. Amável. Queremos beber o que quer que a equipe de marketing da Coca-Cola esteja bebendo (provavelmente Coca-Cola).
Embora, naturalmente, não iríamos tão longe quanto a própria empresa, descreveríamos o novo visual da Coca-Cola como agradavelmente limpo e minimalista. Não é de forma alguma o redesenho mais ousado que vimos (em vez de apenas levantar seu logotipo, Kit-Kat recentemente o removeu por completo), nem mesmo o mais edificante (a nova marca do Burger King é muito mais divertida), mas faz o trabalho.
POR MARK WILSON Feche os olhos e invoque o Boston Red Sox. Você provavelmente verá um par de meias vermelhas, é claro, e possivelmente um Boston “B” azul. Para um dos times mais famosos do beisebol, esses ícones atemporais são sinônimos de história e tradição.
Bem, o novo uniforme “City Connect” da Nike para a equipe, que estreia em campo em 17 de abril, não traz nada disso. Em vez disso, o uniforme é um amarelo rico (ou dourado, de acordo com o comunicado à imprensa), com “Boston” escrito em uma caligrafia modernista em azul claro.
[Photo: Nike]
“Pode haver tradicionalistas para quem este não é o seu beco! Reconhecemos isso ”, diz Adam Grossman, diretor de marketing do Red Sox. “Também reconhecemos que haverá muitas outras pessoas que notarão e que podem adorar. Isso faz parte do cálculo. ”
O beisebol é o jogo de números definitivo e, de acordo com a maioria dos analistas, os números da Major League Baseball (MLB) têm sofrido. A frequência e a audiência de TV estavam tendendo a cair nos anos que se seguiram à última temporada, que foi reduzida devido ao COVID-19. O telespectador médio da MLB tem 57 anos, de acordo com uma pesquisa – 15 anos mais velho do que o telespectador médio da National Basketball Association (NBA). O beisebol não vai desaparecer tão cedo. As receitas da MLB são amplamente suportadas por uma rede complexa de acordos paralelos não relacionados a fãs, jogadores e audiência. Mas ao longo da próxima década, a MLB precisa recrutar fãs mais jovens, e esses fãs precisam assistir aos jogos, para sustentar o esporte para as gerações vindouras.
Os uniformes são uma maneira de fazer isso. Como as empresas de vestuário demonstraram com a NBA, o novo vestuário, criado para eventos de tempo limitado, e não apenas para jogos em casa ou fora, pode não apenas convencer os fãs a comprar mais camisetas, mas também dar as boas-vindas a novos fãs com os quais as camisetas tradicionais podem não ressoar. A Adidas lançou as camisetas Warriors de edição especial para celebrar o Ano Novo Chinês (sem dúvida de olho no mercado chinês). A Nike também lançou sua edição limitada, as camisetas City Connect em toda a NBA.
[Photo: Nike]
A ideia por trás do City Connect é que as camisetas explorem não apenas a aparência histórica de uma equipe, mas algo significativo sobre a cidade natal e a cultura dessa equipe. Para o Miami Heat, a Nike criou um retrocesso em neon em azul e rosa dos anos 1980 para a equipe que gritava Don Johnson, contrariando a tradição da franquia vermelha, preta e amarela. A estratégia funcionou bem. A camisa do Miami Heat da Nike se tornou a camisa mais vendida da NBA em várias temporadas, de acordo com a Nike.
O beisebol apenas enfiou a ponta do pé nessas camisetas. A primeira camisa do City Connect a ser lançada na MLB é a parceria do Red Sox que você vê aqui. As camisetas do City Connect estrearão para o Chicago White Sox, Chicago Cubs, Arizona Diamondbacks, Los Angeles Dodgers, Miami Marlins e San Francisco Giants no final deste ano.
Então, de onde vêm o amarelo e o azul? A Nike tratou o Red Sox como um parceiro, mas também como uma espécie de cliente, pois a Nike pesquisou Boston e apresentou a equipe com vários designs. Ao longo de um processo de desenvolvimento de três anos, esses campos foram afiados e podados até que a equipe selecionou esta camisa.
“No início, estamos chegando com uma folha em branco”, diz Wil Green, o diretor de criação sênior da Nike que liderou o City Connect. “Cada equipe é única. Alguns chegam [a uma escolha] mais rápido, outros precisamos trabalhar em mais opções. ”
Para o Red Sox, as cores azul e amarelo nascem da Boylston Street de Boston, a principal artéria da cidade onde a Maratona de Boston acontece. O amarelo e o azul são anéis das mesmas cores usadas na linha de chegada permanente pintada na rua. O tipo de letra “Boston”, com sua aparência de estêncil, pretende espelhar a própria pintura da rua. Na manga esquerda você verá um babador de corrida, outro aceno para a maratona. Finalmente, o momento da Maratona de Boston geralmente se alinha com o Dia do Patriota, que é 19 de abril deste ano, e um feriado importante em Boston. Portanto, a camisa do Boston City Connect é uma forma de comemorar o Dia do Patriota, a rua e a maratona em uma só. Sim, são muitas referências! E sim, pode parecer um pouco estranho conectar o beisebol com a corrida, mas Boston é bem conhecida por sua maratona; é frequentado por meio milhão de pessoas todos os anos.
[Photo: Christopher Evans/MediaNews Group/Boston Herald/Getty Images]
“Tomar esses tipos de etapas que, com sorte, se conectarão com diferentes públicos e serão estimulados por diferentes públicos, e as pessoas notarão, isso faz parte da nossa mentalidade”, diz Grossman.
Perceber sempre é uma coisa boa? A base de fãs de Boston é notoriamente franca. Qualquer novo lançamento de uniforme corre o risco de irritar os fãs. Mas especialmente em Boston, para resistir a 120 anos de tradição com novas cores, está fadado a causar sérias dificuldades – mesmo que essas camisetas sejam usadas apenas por um fim de semana antes do Red Sox refazer seus clássicos. “Alguns fãs vão adorar, outros não, assim como os movimentos que fazemos em nossa lista”, diz Grossman. “No final das contas, nossos fãs querem que ganhemos e nos divirtamos. Se fizermos isso, o resto vai cuidar de si mesmo. ”
Design é muito mais do que tornar as coisas bonitas.
Design tem a ver com desafios. Com dar desígnio. Dar propósito (com o perdão do trocadilho).
Produtos e projetos podem seguir rumos completamente diferentes se têm um olhar para o design inteligente, sustentável, moderno.
Pensando nisso, um grupo com alguns dos mais importantes designers do mundo criou o projeto “What Design Can Do?”. Veja a explicação sobre o projeto, conforme o site deles:
Na What Design Can Do, acreditamos no poder do design e da criatividade para transformar a sociedade. Dinheiro, governos ou ciência não podem resolver problemas globais complexos por conta própria. Precisamos de novas idéias, estratégias alternativas e pensamentos provocativos.
Em nossas conferências anuais em Amsterdã, Cidade do México e São Paulo, convidamos palestrantes de todo o mundo, como o designer de produto holandês Bas Van Abel, a designer de moda senegalesa Selly Raby Kane, a curadora do MoMA Paola Antonelli e o diretor criativo do Google Lab, Robert Wong, para compartilhar sua visão. Uma das principais atrações, porém, é a própria multidão. What Design Can Do é o lugar perfeito para designers e criativos se encontrarem com empresas, indústrias, ONGs e governos que desejam começar a usar a inovação em design. Em workshops, encontros rápidos, jams de design e masterclasses, os participantes são desafiados a participar ativamente.
DESAFIOS Participe de nossos desafios internacionais de design on-line, onde ideias vencedoras são transformadas em produtos viáveis.
EVENTOS Participe de conferências para se envolver e obter conhecimento profundo de uma comunidade multidisciplinar.
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Burger King, Peugeot, GM, Svarovsky e outras grandes marcas acham que é.
Os lockdowns e fechamentos estão acontecendo no mundo inteiro. Vendas em baixa, movimento reduzido. Pessoas preocupadas com suas vidas, sua saúde, seu emprego.
Num cenário desses, pra que se preocupar com uma mudança de imagem? Ou mesmo de campanha publicitária?
Bom, essas empresas citadas acima acham que é exatamente o periodo para fazer essas mudanças. Veja, em alguns casos, eu creio que os processos realmente já estivessem em andamento. Mas se os gestores acreditassem que a pandemia seria um mau momento, sempre poderiam postergar, certo?
A decisão de manter um rebranding nesse momento, na minha opinião, se justifica. Neste artigo eu relaciono os motivos que eu acho que ajudam nessa decisão:
Maior exposição
Novo logo da Peugeot
Fato: pouca gente está se movimentando. Isso garante um lugar maior ao sol. Todas as mudanças são muito notadas. Seus concorrentes estão em modo de dormência. Num período normal, talvez a mudança passasse em brancas nuvens. Mas num período como este, com todo o noticiário dominado pelo mesmo assunto, o que seria corriqueiro há pouco tempo, ganha relevância
Movimento
O segundo motivo é esse mesmo: mostrar que sua marca está viva.
Um rebranding bem feito mostra que sua marca está no jogo. Não só não jogou a tolha, como ainda tem fôlego para alguns rounds. Que não aceita o ostracismo.
E isso é muito bom para seus clientes. Quem admira sua marca sentirá a renovação. Quem não estava no seu público passa a prestar atenção.
Novos tempos
Muita coisa vai mudar com a pandemia.
Analistas ainda estão tateando a profundidade das mudanças que ficarão em nossas vidas. As marcas que demonstrarem ver mais longe poderão ser percebidas como pioneiras. Aqueles que mantiverem uma imagem ligada à vida antes da doença, poderão ficar velhos e serem vistos como obsoletos muito mais rapidamente do que antes.
Foi provavelmente o que pensou a GM ao adotar uma marca mais moderna, próxima e com inspirações claramente voltadas à novas fontes de energia, especialmente a elétrica (podemos discutir se o resultado foi bom depois).
Ás vezes não é o bastante ser uma marca do seu tempo. É preciso estar no futuro. E hoje em dia, impactados com uma catástrofe global as pessoas pensam o tempo todo no futuro.
Velhos tempos
E como nada em comunicação é estanque, temos o oposto direto.
Em um período complicado, clientes sem mobilidade, ansiosos por contato, nada é mais forte do que a nostalgia.
O Burger King acerta, então, ao encampar uma repaginação que aponta para épocas mais simples e felizes, com sua comunicação completamente retrô. O otimismo do passado é perfeito para seus objetivos.
O passado pode não ser para todas as marcas. Mas nesse momento, quem puder usá-lo pode ganhar muitos seguidores para sua marca.
Tédio
Todo mundo lacrado dentro de casa, ouvindo e vendo notícias sobre pandemia em looping, todo dia, 7 dias por semana. Ninguém aguenta mais.
Uma notícia diferente é até percebida de uma forma diferente. Qualquer coisa que arraste a pessoa por minutos para fora da mesmice faz com que ela se sinta até grata.
Se você aprecia maior visibilidade e reconhecimento para sua marca, esse é um momento de ouro.
A pandemia vai passar
Olhando hoje parece uma miragem. Mas sabemos (e esperamos) que a pandemia vai acabar.
Quando a OMS decretar o fim da pandemia, a vida aos poucos vai voltar ao que era antes (com muitas diferenças). Como você quer que a sua marca esteja neste momento? Amontoada com todas as outras na linha de largada ou já na esquina, com 3 corpos de vantagem no grupo de elite?
O novo logotipo do Burger King foi um sucesso, enquanto a reformulação da marca da Premier League enfureceu os fãs. Aqui está o porquê.
POR STUART WATSON
Eu desenvolvo logotipos há mais de 20 anos. Eu os amo desde que me lembro – quando criança, fiquei mais animado com a embalagem do meu carro Matchbox, com o grande logotipo do muscle car flamejante, do que com o próprio carro.
Passei a maior parte da minha carreira pensando que as pessoas não poderiam se importar menos com logotipos, mas ao longo dos anos eu percebi que, na verdade, nós realmente nos importamos. Nós apenas não sabemos disso.
Então, o que há com os logos?
Tenho certeza de que eles não estão na mente da maioria das pessoas, na maioria dos dias. É apenas quando eles são tirados de nós que começamos a nos importar.
E enquanto a comunidade de design rasga novos logotipos em pedaços com base em pequenos detalhes e na síndrome do “eu já vi isso antes”, o público em geral, que é o verdadeiro público do nosso trabalho, fica irritado e chateado. Lembro-me de assistir o jornal The Sun enlouquecer na primeira página com o novo logotipo da BT que criamos na minha primeira agência e os paparazzi escondidos na lixeira do designer que criou o logotipo das Olimpíadas de Londres de 2012, esperando para tirar uma foto o homem que criou sozinho a indignação nacional. Coisas estranhas para fazer se ninguém se importa.
E este é o tema comum em torno de qualquer mudança de logotipo de alto perfil. Grande. Brutal. Fora do Alvo. Choque. Tumulto. Desgosto. E aí, volta ao que era antes. Isso é o que venho tentando entender.
O ATALHO PARA AS MEMÓRIAS
A reformulação da marca da Premier League é um exemplo perfeito. Se você tivesse pedido às pessoas há seis anos para desenhar o logotipo de memória, muito poucas teriam chegado perto. Ninguém o consideraria um exemplo de excelência criativa ou pensaria nele como um logotipo que amava. Eles amam sua equipe. Eles amam seus jogadores. Então, por que tanto alvoroço na imprensa e da internet quando mudamos isso em 2017?
A resposta é simples. Porque Eric Cantona usava esse logotipo, não o novo. Porque o Manchester United ergueu o troféu com aquele logotipo gravado nas alças, não o novo. Porque todos nós temos 25 anos de estruturas de memória conectando aquele logo às nossas memórias favoritas do futebol. E isso estava sendo levado embora. O link estava sendo quebrado.
Dito de outra forma, não é realmente sobre o design do logotipo. Nunca foi. Sempre foi sobre o que um logotipo representa. Logos são um atalho para as memórias. Tire o logotipo e você remove a conexão com todos os momentos que você associa a essa marca. Isso é especialmente verdadeiro para marcas e times esportivos, mas vemos isso em todo tipo de marca. O alvoroço contra a Gap foi tão grande que eles foram forçados a mudar de volta. Quero dizer, quem realmente se importa com o logotipo da Gap? Acontece que todos nós nos importamos.
Portanto, não apenas os novos logotipos não têm significado (isso tem que ser construído com o tempo), mas também retiram o que já existia. Um golpe duplo para o público que estamos tentando atrair.
Sentimentos de boas memórias
A nostalgia é um grande cobertor quente para nos envolvermos, especialmente durante os tempos incertos em que estamos vivendo. Basta olhar para a deslumbrante mudança de marca do Burger King de JKR. Um passeio maravilhoso pela estrada da memória, uma marca que nos leva de volta a uma época mais feliz. Claro, é uma versão empolgante, moderna e digital de uma memória, mas faz com que todos nos sintamos bem. Pode ser uma reformulação da marca, mas ao enraizar o novo trabalho firmemente nas estruturas de memória que o Burger King construiu ao longo dos anos, ele não apenas impulsiona associações positivas de longa data com a marca para o futuro – ele protege com sucesso essas associações positivas do passado. É tão em casa hoje quanto no Starcourt Mall da Stranger Things, e é apoiado por uma onda de otimismo. Na verdade, não li nenhuma crítica ou comentário ruim.
A função de um logotipo é ser um atalho para sua oferta, capturando de forma clara o que você representa e o que o torna diferente. O Burger King conseguiu encontrar o Santo Graal de levar sua marca adiante e, ao mesmo tempo, fortalecer as estruturas de memória de seus fãs. Os melhores logotipos desencadeiam reações químicas em nossos cérebros quando os vemos. Quando vejo a Disney, sou imediatamente atingido por uma sensação de admiração, aventura e narrativa. Quando vejo Hot Wheels, sou transportado de volta à minha infância. E a lista é longa: recentemente perguntamos aos nossos seguidores do Instagram sobre seus logotipos favoritos de infância e recebemos milhares de respostas.
Isso pode explicar por que estamos vendo uma tendência de marcas que olham para o passado como um ponto de partida para seguir em frente. Estamos vendo isso no cinema, na moda, na comida. Até o xadrez voltou. A boa notícia é que, na maioria dos casos, o alvoroço inicial sobre qualquer reformulação da marca não tem relação com seu sucesso. Em um ano de sua polêmica mudança de marca, o Airbnb dobrou com sucesso as reservas para 80 milhões, adicionando bilhões aos seus resultados financeiros. O mesmo vale para a Premier League e inúmeros outros. Depois de construirmos novas memórias e conexões (como ver Raheem Sterling usando o novo logotipo da PL na manga), aceitamos essa mudança e seguimos em frente.
Veja nossa recente mudança de marca do time de rúgbi Wigan Warriors – levou exatamente duas semanas e um chapéu de Papai Noel para deixar de ser desprezado e rejeitado (e eu sendo o homem mais odiado do noroeste da Inglaterra) para ser compreendido e aceito. Simplesmente juntamos os pontos e seguimos em frente.
Você não sabe o que tem até que perde
Então, acho que o que estou dizendo é que todos nós amamos logotipos. Nós os amamos pelo que representam, pelas memórias que guardam. Os mundos para os quais eles nos transportam. Só não sabemos até que seja tarde demais e eles tenham ido embora
Como designer, fico feliz que os logotipos sejam importantes para as pessoas. Temos a responsabilidade de fazer a coisa certa. Mas, em última análise, temos que nos tornar menos obcecados com a aparência de um logotipo e mais sintonizados com a forma como ele nos faz sentir.
Publicado originalmente por Danielle Wightman-Stone aqui
O maior fabricante de cristal do mundo, a Swarovski, revelou uma nova identidade de marca, que afirma oferecer uma “visão ousada que celebra o cristal em todas as suas formas” que inclui a releitura do cisne Swarovski sob a liderança de Giovanna Engelbert, a primeira da marca. já foi nomeado diretor de criação global no ano passado.
A Swarovski renovada também apresentará novas lojas-conceito de tijolo e argamassa para dar vida ao Swarovski Wonderlab. Com 28 lojas Instant Wonder a serem reveladas nos principais mercados globais, bem como em dois novos locais em Paris e Nova York.
No centro da reformulação da marca está uma atualização do logotipo do cisne da Swarovski, que Engelbert explica que foi reimaginado através do filtro do Wonderlab, seu mundo de cristal imaginário.
Engelbert explicou em um comunicado: “O Wonderlab é onde a ciência e a magia se encontram, onde o extra e a elegância colidem, é um sentimento de admiração que todos deveriam experimentar quando os convidamos para o nosso novo mundo na Swarovski.”
Para entrar neste novo mundo, o Swarovski Swan foi virado para o cliente, para representar a nova direção da marca “de frente, pronta para levantar vôo”. O cisne recebeu uma forma aerodinâmica, com um pescoço alongado e colocado em um “envoltório octógono em forma de vela”, que Swarovski explica como “um aceno para um cristal facetado, evocando a habilidade incomparável dos mestres cortadores de Swarovski”.
O novo design simplificado que adiciona foi criado para “reforçar o ímpeto cada vez mais avançado da marca”.
O cisne tem sido um farol de longa data da autoexpressão da marca, acrescentou Swarovski, e simbolicamente, o cisne representa a beleza da natureza e o amor eterno, um sentimento que ele nota é espelhado por seu amor pelo cristal.
Ao adaptar seu emblema, a Swarovski afirma que está reforçando seu “orgulho pelo patrimônio, bem como sua visão para o futuro”.
A diretora criativa da Swarovski, Giovanna Engelbert, revela a nova visão da marca e o conceito de loja Instant Wonder
O CEO da Swarovski, Robert Buchbauer, disse em um comunicado: “A Swarovski é uma empresa enraizada na inovação e na reinvenção. Por 126 anos, permanecemos fiéis ao nosso DNA como marca e crescemos para atender às necessidades de um mundo em evolução. Estamos ansiosos para revelar este novo capítulo em nossa história; aquele que nos marcará como um verdadeiro estilo de vida de cristal para o futuro. ”
Junto com o logotipo redesenhado, a Swarovski apresentará o que chama de lojas “Instant Wonder” nos principais mercados globais que serão uma “festa para os sentidos”. O primeiro redesenho será aberto hoje, 23 de fevereiro em Milão, seguido por mais 27 na América do Norte, Europa e APAC, incluindo novos locais em Paris e Nova York. Com detalhes sobre as lojas Instant Wonder chegando ao Reino Unido a serem anunciados nos próximos meses, acrescentou a marca.
As lojas foram projetadas para refletir a próxima campanha da marca e a nova identidade visual, e apresentarão aos compradores um “espaço de varejo sensorial” aprimorado por cores e texturas vibrantes, esculturas metálicas e materiais inovadores que, afirma Swarovski “trabalham juntos para incentivar a exploração e auto-expressão ”.
As lojas Instant Wonder da Swarovski visam fornecer uma experiência imersiva e hipnotizante no mundo da joalheria que deixa uma impressão duradoura e inspiradora com uma “paisagem de sonho como um doce, repleta de todo o espectro de peças de cristal de estilo de vida”, incluindo componentes soltos, joias, relógios, estatuetas e acessórios, e decorado com um pano de fundo da silhueta octogonal do logotipo da Swarovski, criado a partir da nova embalagem.
Juntamente com as inaugurações em cidades selecionadas, as lojas Instant Wonder serão suportadas por ativações ao vivo e digitais, projetadas em parceria com a Villa Eugenie, sediada em Paris, para criar “uma emoção emocionante de magia para os clientes”. Essas ativações incluirão passeios virtuais, pré-visualizações de peças de coleção e conteúdo de estilo de vida para envolver ainda mais os clientes. Mais sobre o texto originalÉ necessário fornecer o texto original para ver mais informações sobre a tradução
O novo visual Swarovski é a visão da diretora de criação, Giovanna Engelbert, que foi nomeada em maio de 2020, com a tarefa de supervisionar a “direção criativa completa” da empresa, incluindo cristais, joias, colaborações de designers, óculos de sol, iluminação, taças, lustres , perfume, maquiagem e até mesmo binóculos de longo alcance.
Na época de sua nomeação, Swarovski disse que era para garantir “uma visão comum, uma estratégia e uma organização”. Desde então, a empresa está em um momento de transição, cortando 6.000 empregos e enfatizando o foco em tornar os cristais Swarovski mais exclusivos com uma proposta de estilo de vida sofisticado.
Imagens: cortesia de Swarovski; imagens de armazenamento de Alessandro Saletta – DSL Studio
Não é soberba. Às vezes, perceber que está com a ideias no lugar certo dá um prazer danado.
Foi assim que eu me senti ao ver essa live do Ricardo Amorim com Allan Barros, CEO da Pullse, no canal do primeiro.
Há algum tempo eu venho falando que a fixação de uma fatia do mercado com um tipo de marketing digital não está devolvendo os resultados que eles acham, e o pior é que eles nem estão se atentando para isso.
O advento da publicidade na internet tornada muito simples colocou uma verdadeira enxurrada de profissionais formados em cursinhos oferecidos na internet (nada contra, tem alguns bons), e palestras de clones do Érico Rocha (me abstenho). Era de se esperar: temos muito desemprego, todo mundo quer ganhar o seu, e teoricamente, o cara só precisa de um computador ou fone com acesso à internet e uma conta gratuita no Canva para se apresentar como uma AGÊNCIA DIGITAL.
Não é novidade para mim. No passado, a profissão que menos demandava era a minha. Designer Gráfico. Os cursinhos eram geralmente presenciais, ensinavam Corel Draw (nada contra, usei muito) e depois de 4 semanas formava um cara apto a inundar o mercado de flyer feio, que na verdade atrapalhava mais do que ajudava o cliente.
Por trás das suas iniciativas tem o mesmo incauto: o empresário procurando uma saída para promover seu produto ou serviço da forma mais barata que ele conseguir, e que conhece pouco ou nada do mercado de marketing e publicidade. O que assusta de verdade, é perceber que empresas grandes estão entrando nessa furada também.
Voltando a falar da live, Allan Barros tocou num ponto que eu venho repetindo há tempos: ativação em redes sociais, por si só, não vai fazer verão para empresa nenhuma. O que muda o jogo, o que realmente vende, e vai vender daqui há 1, 5 ou 10 anos, é branding.
Pela experiência que eu tenho na Propósitto, vejo que o digital por si só, é tão mais efetivo quanto mais commoditizado for seu produto. As pessoas até entram no google e buscam por areia, madeira, pneu, viagem. Mas quem já digitou “carro” em uma ferramenta de busca? Quem já teve uma dúvida sobre “hamburguer” na rede?
Difícil. Quem busca carro, busca um carro específico. Busca comparar duas marcas. Busca Mc Donalds.
Despejar grana em impulsionamento direto pode te gerar leads. Mas provavelmente será lead fraco, sem qualificação. A forma mais inteligente continua a ser construir uma marca sólida. Uma marca com a qual seu cliente se relacione. Que pense em seu cliente ao se apresentar.
Fora que os “novos caminhos tradicionais” (com toda ciência do contrasenso que essa expressão traz) nunca estiveram tão confusos. Se as redes sociais fossem tão imprescindíveis, grandes marcas como a Coca-Cola. Pepsi, e Unilever não estariam repensando suas atuações nelas.
Sempre digo a nossos clientes: Facebook é muito bom, mas é uma brincadeira do Mark Zuckerberg. Quando ele resolver mudar as regras do jogo, sua marca precisa ter vida própria para não ser sugada. E convenhamos: o ambiente social digital está tóxico.
Mais e mais pessoas estão cansadas das redes, que têm servido muito mais a proselitismo ideológico, batalhas campais políticas e despejo de chorume do que como entretenimento, que era sua função original.
Parece impossível imaginar a vida sem Twitter, Face ou Instagram, mas acreditem, tudo pode acontecer. E se acontecer, já pensou como fica sua marca se ela não tem personalidade?
Lógico, o caminho certo geralmente é mais longo. Mais árduo e requer mais criatividade. Com ciclos menores, tomadas de pulso do mercado constantes, correções sutis de caminhos. Mas é isso que os dados nos fornecem hoje em dia. Os dados pelos dados são frios.
Bom, o certo então é parar com todo investimento em marketing digital? De forma alguma! Muito pelo contrário. O que se precisa é fazer o investimento, mas de forma inteligente. Ter uma mentalidade que aqui na Propósitto chamamos de marketing 360º, que enxerga as oportunidades holisticamente. Não se esquecer que existem inúmeras formas de se consolidar seu branding, e o digital é um deles. Usar o melhor que cada canal tem a oferecer, sem se deixar contaminar por ele, e sem jamais perder de foco aquilo que realmente interessa: sua marca.
Uma campanha criativa, uma marca única, a criação de empatia com seu público, é isso que destacará sua marca das demais. Sempre foi. Mudou a mídia, mudou o método, mas o fim é o mesmo.
Em 2007, eu achava que estava com a vida completamente definida.
Tinha um bom emprego, estável há um ano, em uma consultoria internacional, que me dava acesso a muita informação, respeito, um local de trabalho pra lá de ideal, e um trabalho bacana e dentro das minhas possibilidades e limites.
Beirando os quarenta anos, com uma família estruturada, eu encarava aquilo como o último e mais alto degrau de uma carreira que eu julgava vencedora. O Brasil estava muito bem, obrigado. Iríamos crescer com certeza, e dali pra frente, era só surfar nas oportunidades que com certeza apareceriam dentro da empresa, e aguardar por uma gloriosa e respeitada aposentadoria em algumas décadas.
Minha confiança era tanta que me transferi junto com família, gato, papagaio e cachorro para São Roque, uma cidade do interior que tornava o deslocamento para a empresa mais fácil. São Roque não era exatamente o mercado mais promissor do mundo para designers, mas e daí? Eu estava garantido.
Faltou combinar com os Russos. Ou melhor, com os bancos americanos. O quebra-quebra de 2008 caiu como uma praga do Egito sobre todas as empresas, e nos inevitáveis layoffs, eu fui um dos que rodei. Era 2009.
E então, estava ali, instalado num mercado nada promissor, longe das agências, empresas e estúdios que poderiam me dar uma nova colocação.
Em toda minha carreira, eu havia passado por duas vezes pela experiência de ser dispensado. Não foi bom em nenhuma. E apesar das chances atuarem totalmente contra mim, eu decidi, tal qual uma Scarlett O’Hara no alto do monte, comendo a última cenoura que restou na fazenda, que eu não ia passar por aquilo de novo.
E resolvi criar a Propósitto.
Para falar a verdade, foi justamente a carência do mercado da pequena cidade da atuação de branding bem pensado que me motivou a dar este passo. Eu via tantos negócios promissores perdendo terreno em meio a um mercado que, no ritmo da internet, mudava com alta velocidade, e não sabiam por onde nem começar a mudança, e pensei que ali seria um nicho interessante.
Como era de se esperar, o início foi porrada atrás de porrada, e nos primeiros anos, o que realmente manteve a Propósitto viva foram os contatos vindos da capital, com demandas vindas de empresas e pessoas que confiavam antes em minha atuação como freelancer.
Mas aos poucos, e às custas de muito explicar, de muito trabalho de networking, uma após a outra, empresas começaram a confiar em nossos serviços. Um pequeno comércio, uma clínica veterinária, uma indústria, e de repente, a empresa já começava a aplicar a vocação que desde o início eu sabia que ela tinha.
A de criar, transformar e gerir marcas para que elas possam competir em um mercado com características únicas. O mercado das pequenas e médias empresas.
De comunicar o valor que essas empresas já geravam, mas muitas vezes não conseguiam apresentar.
De devolver ao empresário o orgulho de ver sua empresa bem posicionada, bem avaliada e percebida pelo seu cliente, pelo seu entorno.
10 anos se passaram, e novos parceiros fazem parte. Uma rede se formou ao redor da empresa.
E olhando o caminho percorrido, não posso deixar de perceber que foram exatamente nesses 10 anos que eu consegui, finalmente, realizar o potencial completo daquilo para o qual me formei. Que consigo enxergar holísticamente o impacto e a abrangência que o branding e o design podem ter na história de uma pequena empresa.
E vejo que não estamos nem perto de pisar no freio, nem estamos em velocidade de cruzeiro, e nem arranhamos a altura de nossas expectativas. Temos pela frente um mercado enorme, carente de soluções modernas, repleto de desafios enormes.
A Propósitto faz essa semana, 10 anos de existência. Em um país em que tantas empresas morrem no primeiro ano, não deixa de ser um feito.
Para comemorar essa data, estamos, pela primeira vez, renovando nossa identidade corporativa. Porque com 10 anos, temos energia, e não tradição. Temos curiosidade, não certezas imutáveis. Somos aprendizes em alguns momenos, e professores em outros.
Nossa realidade mudou, e nossa marca precisa acompanhar esse momento.
É para este mercado que a Propósitto existe. Esse é o nosso verdadeiro PROPÓSITTO. E que venham os próximos 10, 20, 30 anos. Estamos nos preparando e evoluindo constantemente para eles.
Não posso terminar este texto sem agradecer ao Maurício Roma, que se juntou recentemente para multiplicar o nosso alcance. Ao meu filho Chico Teixeira, que sempre foi o combustível e o motivo de tudo. E à Gabriela, que esteve junto no antes e no durante, sem nunca ter sido acessório, e sim, peça principal da história.
Em 2013, a Forbes soltou uma matéria mostrando as profissões menos rentáveis dos EUA. E lá estava o Design Gráfico, em plena terra do Tio Sam, com um dos 8 piores níveis salariais do país.
Na época, o blog da Propósitto tinha o foco muito mais centrado no designer. Hoje, procuramos dar maior prioridade aos assuntos que interessam aos clientes. Escrevi esse artigo na tentativa de entender os porques do descaso do mercado com nossa profissão. E não poderia esperar um resultado tão forte.
Em pouco tempo, mais de 150 mil leituras se acumularam, tornando-o o texto de maior sucesso do blog. E muitos anos depois, ele continuava a ter tração de ferramentas de busca. Prova de que haviam muitos designers correndo atrás das mesmas respostas.
Agora, no mês em que a Propósitto completa 10 anos de existência, resolvi trazê-lo de volta, e talvez voltar a falar um pouco com os designers. Porque de lá para cá, algumas coisas mudaram, algumas para melhor, muitas para pior. Como está a vida do designer hoje?
Resolvi escrever este texto para tentar trazer a discussão para outros focos, e ligar pontos que ficam desconexos. De um modo ou de outro, a mudança desse panorama passa por discussões sérias, onde cada lado vai ter que apresentar argumentos sólidos para convencer o outro. Porque, indo cada um para um lado, como está, não iremos a parte alguma. Eis o que penso:
1 – Se você comprar esse lixo, ele é todo seu
Vejamos. A pesquisa diz que estamos na base da cadeia alimentar. Somos devorados por todos. Estamos entre os primeiros a ser descartados quando a água bate nos digníssimos traseiros de nossos empregadores.
Existe um lado não explorado na matéria, que tem a ver com outra matéria que eu li, semanas atrás. Essa aqui. Ela dá conta de que milhares de pessoas aportando no mercado de trabalho atual tem procurado as áreas da chamada “Economia Criativa”. Áreas que teoricamente são “excitantes”, “vibrantes”, que têm menos regras de conduta, com horários mais flexíveis, em que você pode ser mais você. Setores como games, software, audiovisual, moda, editoração e mídia, e é claro, DESIGN.
Isso transformou o setor numa certa meca, um local de sonhos, onde as empresas mais parecem clubes, cheias de gente interessante, inteligente, com valores pessoais tão grandes… E dura, sem grana.
É preciso que se saiba, que estamos entre as áreas mais demandadas da economia atual. O design exerce um papel cada vez maior da escolha de compra do consumidor. Em alguns casos, é o fator central. Milhões e milhões de dólares são feitos sobre o trabalho de valorosos designers.
Mas o sonho, dizem, é trabalhar por prazer. Bom, eu tenho algo a dizer:
2 – Trabalhe por grana
Amigos meus de longa data, profissionais competentes, com portfólios bem estruturados me dizem que o mercado não está pra brincadeira. Que um diretor de arte num estúdio de médio porte ganha por volta de R$ 3.000,00, bruto (e de 2013 para cá, acreditem, isso não mudou, nem mesmo se atualizou). E para merecer esse salário, ele vai ter que dominar o pacote master Adobe, manjar de HTML, CSS, PHP, arranhar um ASP, se virar num 3D Max e saber fazer vinhetas animadas pra vídeo.
Minha reação quanto a isso. Para mim, não. Eu não dirijo arte por R$ 3.000,00. Antes disso, faço um curso de torneiro mecânico, uma profissão que não exige muito da minha criatividade, mas que paga melhor do que isso, e nas horas vagas eu pinto quadros, faço histórias em quadrinhos, aprendo a tocar um instrumento e mato meu desejo por realização criativa.
É preciso aprender a dizer não. E isso é mais difícil do que se espera.
Afinal, como deixar passar aquele job de logo para uma Surf Shop que caiu no seu colo, mas que o dono agora não tem grana pra investir? Como recusar aquela ilustra engraçadinha que vai sair numa revista mais ou menos bem-lida? Como deixar de pegar o catálogo só porque o dono da empresa quer que você também tire fotos da linha de produtos inteira dele, mesmo você explicando que só tem a câmera do celular? E como correr o risco de perder uma concorrência só porque você vai perder duas noites num “rascunho” simples que todos os outros designers vão fazer, para o cliente escolher qual gosta mais?
É fácil dizer. Mas na hora, o medo da dispensa leva muitos a colocar os rabos entre as perninhas, mandar um “ok”, e o pior de tudo, ainda achar algum prazer na experiência do estupro.
Seu cliente precisa saber que você trabalha por dinheiro, assim como ele. Que você está comprometido com o sucesso daquele projeto para que ele ganhe dinheiro, e te procure novamente para que você faça sua mágica. É simples assim. Você precisa cobrar o suficiente para que, se um dia tiver seu dia completamente lotado de trabalhos, esteja bem de vida. O quão bem de vida? Isso é contigo. Eu tenho meus sonhos, e as duas únicas ferramentas que tenho para realizá-los são meu trabalho, e a chance de acertar sozinho na mega-sena.
3 – Projete a imagem de si que você quer que os outros vejam
Saiba que seu cliente tem uma visão de você. E que você o ajudou a construir essa visão.
Na cabeça dele, um advogado, um engenheiro ou um médico muito bem-sucedidos andam de BMW, tem casas na praia e viajam para a Europa com a família nas férias. Um designer muito bem sucedido tem um iPhone, dirige um Kwid e usa roupas “muito loucas”.
Culpa sua.
São os valores que você mostrou para seu chefe, para seus amigos, sua rede. Você fala disso, veste isso, dirige isso, e parece não ter as preocupações que todos têm em relação ao futuro. “A vida até parece uma festa”, diriam os Titãs. Você tenta passar para o mundo que nasceu predestinado, com um dom, e que por isso não dá trabalho fazer o que faz. É tranquilo, com um pé nas costas. Bom, ninguém valoriza quem trabalha na moleza. Você sente muito prazer em sua profissão, guarde-o para si. Até ator pornô diz que o trabalho dele é bem duro e técnico.
Todo profissional quer ser respeitado. O modo como cada um batalha para conseguir esse respeito e proteger seu meio de vida é que difere.
Alguns designers que tenho visto (e alguns são muito bons), tentando quebrar essa visão, tem usado um approach absurdamente técnico no exercício do design. Explicam grids, pixels, minúcias tipográficas, tendências com uma desenvoltura que eu poucas vezes vi. É uma saída. O cliente e o mercado passam a ver design como uma profissão, não como estilo de vida. Mas não sou completamente a favor.
Na minha opinião, deveriam estar se esmerando na arte de mostrar para o cliente o quanto o investimento dele RETORNA ao seu bolso. O quanto ele PRECISA investir em design, antes que o concorrente o faça, ou faça melhor, e o deixe chupando o dedo. O quanto o design vale a pena, e a quantidade de gente que não entende patavina disso tudo. O lado técnico estará lá, mas embutido dentro da entrega. Caso contrário, o risco é o cliente achar que tudo isso é muito complicado para ele e deixar para seu sobrinho, que não lhe dá essas dores de cabeça.
Não sei quem foi que disse, que, o mundo seria diferente se todos soubessem o que se passa dentro de um centro cirúrgico ou numa fábrica de linguiça. No fundo, nem tudo o cliente tem que saber. E dissecar os tintins por tintins da área para todos é no máximo um bom exercício acadêmico, que surte um grande efeito na pagação de pau entre outros designers.
4 – Regulamentação?
Estamos convivendo com uma ameaça(?) de regulamentação desde que eu me formei, e olha que eu fiz paste-up.
Eu já fui a favor, já fui contra e muito pelo o contrário.
Hoje, eu acho que é um caminho natural, como profissão, de se ter alguma regulamentação. O difícil é achar que isso ajuda a mudar qualquer coisa desse panorama. Ok, vamos ter uma lei que diz que não se poderá pagar menos que um salário mínimo para um estagiário. E daí? Que precisará de diploma para exercer (será?) mas e daí?
Porém, por mais sentido que possa fazer, a impressão que dá depois de tantos anos é que não vai sair. Não vai porque não é prioridade para ninguém. Não vai porque não conseguimos fazer dessa uma pauta relevante, e não vai porque nesse momento, o mundo tem mais com o que se preocupar.
Se o mercado não valoriza uma profissão por si só, uma lei vai fazer isso?
Alguém acha que a Regulamentação vai obrigar um patrão pagar R$ 10.000 para um diretor de arte?
Que vai impedir que os bróder fiquem trampando até as 3 da matina para entregar layout a troco de pizza (mesmo que na lei seja proibido, mesmo sem regulamentação nenhuma)?
Que um cliente pague a um designer o suficiente para que ele possa viver dignamente e dedique a quantidade de horas necessária para que ele lhe entregue um trabalho realmente de primeira?
Sempre gostam de nos comparar com as leis de médicos, advogados e engenheiros (eu mesmo fiz isso parágrafos acima), profissões ultra-regulamentadas, que tem entidades de classe representativas. Mas precisamos entender certas verdades do mercado.
Aceite: o mundo sempre vai precisar mais de médicos, engenheiros e advogados. Se fossemos atacados por alienígenas hoje, iríamos precisar especialmente dos dois primeiros. É do jogo.
Mas isso não quer dizer que precisemos ganhar menos do que a secretária de um médico. Porque no frigir dos ovos, médicos, advogados e engenheiros vão ao supermercado, e resolvem comprar um produto em detrimento do outro porque a embalagem ou a marca lhe passou mais confiança. Compram carros porque são mais bonitos. Vestem roupas que combinam com estilos de vida que um designer ajudou a criar. Portanto, enquanto os aliens não chegam, você é sim, parte importante da sociedade em que vivemos, e merece ser pago pelo que faz.
5 – O que ninguém falou
Junto da lista da Forbes, há uma outra matéria (essa). Que diz que as profissões ligadas a arte e ciências estão entre as menos bem pagas nos EUA.
Se você ler, vai ver que eles colocam a faixa dos salários. A frase que me chamou a atenção é essa: “Quando conseguem um emprego, o salário médio é de apenas US$ 28 mil por ano, em comparação com ganhos iniciais de um engenheiro mecânico, de US$ 58 mil anuais”.
Faça as contas. US$ 28 mil por ano dá, em valores de hoje, algo em torno de R$ 14.000 mensais, para um iniciante. O que mostra que aqui, em terras tupiniquins vamos ter que melhorar MUITO para ficar ruim igual lá.
Ou seja: se você não quer abraçar a carreira de torneiro mecânico, e melhor começar a fazer algo para mudar.
O texto a seguir foi retirado da newsletter “Deal Book“, doAndrewRoss Sorkin, do New York Times.
Uma coisa é empresas pequenas de tecnologia promoverem políticas de trabalho remoto primeiro. Mas é uma questão muito maior quando um titã do Vale do Silício anuncia mudanças radicais para seus 45.000 funcionários.
O escritório pode nunca mais ser o mesmo, como sinalizamos na newsletter de ontem. Até metade dos funcionários do Facebook poderá vir a trabalhar remotamente dentro de uma década, disse Mark Zuckerberg aos funcionários em uma reunião transmitida ao vivo ontem. “Está claro que o Covid mudou muito em nossas vidas, e isso certamente inclui a maneira como a maioria de nós trabalha”, disse o chefe do Facebook.
É uma mudança radical da cultura de “levar trabalhadores para escritórios gigantes e mantê-los lá”, observa Kate Conger, do Times. Não está claro se outros gigantes da tecnologia seguirão o exemplo, embora o Google procure por “empregos do Twitter” disparado depois que o Twitter anunciou uma medida semelhante.
Pesquisas internas indicaram que 40% dos funcionários do Facebook estão interessados em trabalho remoto. Nesse grupo, 45% disseram que provavelmente se mudariam para outra cidade se o trabalho remoto fosse permanente. Zuckerberg disse que estava pensando em estabelecer centros em cidades como Atlanta, Dallas e Denver para os funcionários dessas áreas visitarem ocasionalmente.
As pessoas estão lidando com as implicações:
• Zuckerberg disse que a remuneração seria mais baixa para funcionários de cidades menos caras, com verificações internas para verificar de onde os trabalhadores estão se logando.
• O investidor Chamath Palihapitiya twittou que os estados da Sun Belt, muitos com “impostos zero”, poderiam experimentar uma migração em massa de trabalhadores de colarinho branco, enquanto a Califórnia sofreria. (Ele disse que iria para Miami.)
• Conor Dougherty, do Times, questionou se os trabalhadores iriam mais para os subúrbios do que para sair completamente, digamos, da Bay Area.