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Autor: Propositto

  • Sob pressão, a Apple esperneia

    Sob pressão, a Apple esperneia

    A marca que já foi símbolo de inovação vive uma crise de identidade que tem muito a ver com o atual estado de coisas. Será que ela está pronta para se reinventar mais uma vez? E isso é possível sem Steve Jobs?

    Todo dia, o Facebook traz algum momento do nosso passado recente, em sua seção “lembranças”. É estranho como, de tão corrida que nossa vida anda, nossa noção do tempo anda meio bagunçada. Tem coisas que você disse há um ano que parecem uma eternidade. Já outras ditas há 6 anos parecem que foram ditas ontem.

    Pois hoje pipocou na minha timeline uma frase de 5 anos atrás, em que eu dizia:

    Eu devo ser saudosista, mas sinto falta do tempo em que as grandes novidades da Apple eram inovações em novos computadores, Softwares e Sistemas Operacionais e não o tamanho e a cor do próximo iPhone. Já deu.

    Meu diagnóstico devia estar acertado. Anos depois, a Apple, ainda um gigante em vendas, começa a sentir os efeitos de ter se tornado uma marca de luxo, quando todos enxergavam nela uma empresa de inovação. Na verdade, a Apple passou toda a sua história construindo essa imagem. De que era uma marca para quem via as coisas antes de todos. Uma marca que construía tendências. Que chegava antes.

    Do lado de lá do ringue, havia a Microsoft. E a Microsoft abarcava o oposto da Apple. Era a empresa que chegava depois. Que copiava. Que esperava o lançamento do concorrente para soltar sua versão do mesmo produto, de forma piorada e cheia de bugs. Steve Jobs e Bill Gates personificaram, nos anos 90 e 2000, a grande batalha nerd da nossa geração.

    Os próprios comerciais da Apple da época mostravam isso. O gordinho sem jeito da Microsoft contra o carinha cool da Apple. Os micros coloridos e lindos da Apple contra os feiosos e beges PCs. As tentativas da Microsoft de encontrar um sistema no nível do impressionante OS da Apple.

    De um lado, os nerds sem jeito da Microsoft, dançando como idiotas no palco do lançamento dos produtos. Do outro, Steve de gole rolê preta em seus Keynotes, cada vez mais adorado.

    Inovação era o padrão

    Talvez o grande pulo do gato de Jobs tenha vindo quando ele começou a fazer valer sua visão de como a tecnologia se expandiria para nossas vidas além da tela do computador. Quando lançou o primeiro iPod. Quando simplificou a operação dos iMacs ao máximo. E enterrou de vez a concorrência quando mostrou ao mundo o primeiro iPhone. Chegou a um ponto tal, que uma consultoria avaliou que, se a Apple lançasse um produto chamado iCoisa, e que vendesse sem que ninguém soubesse o que era, venderia igual água.

    Gates, por outro lado, deve ter tido momentos difíceis. Tentou emular a maçãzinha em sistemas desastrosos como Windos ME, lançou bombas como o Zune e o Windows Phone. E por fim, resolveu sair da posição de CEO da sua própria empresa.

    E então, a Apple reinou, e reinou bonito. Lançou um objeto de desejo atrás do outro. Imacs passaram por 3 designs diferentes, um mais lindo que o outro. Iphones foram ficando mais e mais completos. Com câmeras cada vez melhores, telas mais impressionantes, funções cada vez mais complexas. Mais do que isso, a Apple criou um novo mercado. A venda de Apps catapultou a companhia para a primeira colocação em valor de mercado.

    Mas o sucesso sempre tem um preço, e parece que a Apple ficou viciada na Apple. Além disso, a prematura morte de Jobs não ajudou em nada.

    Mudança de eixo

    Tim Cook nunca teve a mesma visão que seu antecessor. Foi habilidoso em segurar a marca até aqui, mas já faz tempo desde que a companhia deixou de fazer os queixos do mercado caírem com algum produto tirado dos nossos sonhos. O que ocorreu, sim, foram dúzias de novos iPhones e iPads: maiores, menores, com mais câmeras, com mais tela, com menos notch. E caros. Muito caros.

    A base da empresa foi esquecida. Sua relação com criadores e inovadores, que sempre foram seus melhores evangelizadores, deixada para segundo plano, enquanto a empresa buscava associação com celebridades. O sujeitinho bacana que aparecia nos comerciais tirando um sarro do gordinho nerd da Microsoft não exatamente combinava com a horda de desesperados tentando por as mãos no primeiro iPhone no dia do lançamento, nem com viciados em selfies na frente do espelho.

    Enquanto isso, a concorrência mudou. A Google e seu Android correram por fora, com a vantagem de não estarem restritas a uma marca de aparelhos. O Android se espalhou por todo e qualquer dispositivo, dos celulares às TVs.

    A Amazon expandiu seus tentáculos para a nuvem, criando um ambiente robusto e investindo em dólares recorrentes, ao invés de estar presa a um modelo de vendas.

    A Microsoft, quem diria, mudou silenciosamente. Soltou sistemas mais elogiados. Investiu em inovação. Diversificou. Entrou no mercado de games desacreditada, e fez bonito. Fugiu do padrão de grandes eventos com grandes anúncios, e pulverizou seus lançamentos, de forma que os fracassos de público (e eles existiram) não tivessem o mesmo impacto do passado.

    O mercado ganhou caras novas. Netflix e Spotify entregaram mais, melhor e mais barato do que o iTunes. Serviços de nuvem pipocaram de forma consistente, todos mais eficazes e mais baratos que o iCloud.

    E para piorar o cenário da Apple, os Chineses aprenderam a fazer celulares. Marcas que nem estavam no radar, de repente começaram a incomodar, e foi muito rápido. Huawey, Xiaomi, OnPlus e outras marcas conquistaram o mercado Chinês, onde a Apple reinava, com produtos de qualidade, inovação e, muito importante, preços bem menores.

    https://www.youtube.com/watch?v=RmVAbB3M-4Y

    Resultados sem novidade

    O resultado não poderia ser outro. As ações da Apple caíram com rapidez. As projeções para o futuro não apontam em direções muito melhores. Analistas colocaram os papeis da Apple sob dúvida. O mercado já não é mais o que era antes do lançamento do iPhone. Tudo é muito rápido, tudo é instantâneo.

    Na semana passada, a Apple resolveu mostrar sua reação. A julgar pelo anúncio, deve ter sido decidida numa reunião na terça feira anterior. Porque, após mais um evento que contou com telas maravilhosas e muito glamour, tudo que o mercado tinha eram dúvidas.

    A empresa mostrou seu novo serviço de notícias, cheio de novas publicações, que entrou no ar custando dez dólares mensais, em uma época que as pessoas brigam por informação gratuita. Lançou seu Apple TV +, que basicamente é o Netflix pra chamar de seu. Para provar a relevância do seu serviço, trouxe ao palco Steve Spielberg e Oprah Winfrey, e anunciou outros nomes de peso como criadores exclusivos para seu canal. Anunciou que terá uma plataforma de games, mas não conseguiu explicar qual é realmente o diferencial dela.

    E pontou novamente que se preocupa com a privacidade de seus assinantes, e que não usa nenhum dado deles para publicidade.

    A sensação, pelo menos para mim, é de desespero e correria. O serviço de streaming era esperado pelo mercado. Está atrasado, e vai brigar com concorrentes com mais expertise, como a Netflix, e de mais peso, como a Disney. Spielberg e Oprah são nomes bons, mas no atual cenário, não imprescindíveis nem decisores. A plataforma de games não ficou clara. No que exatamente difere do que temos atualmente?

    Não sabemos preço nem data de lançamento. Não sabemos o quanto os sistemas serão fechados. No dia seguinte já quase não se falava nisso.

    É um grande megalançamento inócuo.

    Outros lados

    Enquanto isso, os micros da Apple bateram à casa do inconcebível em matéria de preços. Vídeos e mais vídeos de youtubers que falam de tecnologia aconselham a troca por opções da concorrência, com mais recursos, mais processamento, e mais baratos. As atualizações do sistema da Apple são quase todas cosméticas. Johny Ive, o incensado designer preferido de Jobs, anda sumido.

    Quando Steve Jobs morreu, deixou no ar a promessa de diversos produtos inovadores que estaria trabalhando. Uma revolução automotiva, uma revolução televisiva, uma nova revolução computacional. Se é verdade que esses planos existiam, ou eles demoraram demais a serem liberados, ou foram atropelados pela inovação de verdade, já que Smart TVs e carros autodirigíveis são realidades, que não parecem precisar da Apple para evoluírem.

    No mercado de inovação, perder o passo tem um custo grande. Ser o segundo, maior ainda.

    Não se deve enxergar a Apple como carta fora do baralho. Uma empresa desse tamanho tem muita gordura pra queimar e tentar dar a volta por cima. A Apple têm o DNA da inovação, mas parece ter perdido o mapa para esse caminho.

    Talvez o caminho nem seja esse, e o destino da empresa seja ficar ao lado de Louis Vuittons, Guccis e Pradas, num Olimpo de marcas premium, onde pessoas pagam 20 vezes mais por um produto, apenas para exibir seu logo. Não me parece que os ventos da modernidade soprem nesse sentido, mas não deixa de ser uma aposta.

     

  • Pequenas empresas e branding. Uma relação que precisa evoluir

    Pequenas empresas e branding. Uma relação que precisa evoluir

    Há algum tempo visitei um prospect (cujo nome não vou revelar por motivos óbvios) que ilustra aquilo que gostaria de tratar nesse post.

    O empresário é um pequeno fabricante de produtos alimentícios da região. Ao saber que tenho um estúdio de design, me chamou imediatamente, pois “precisava muito dos meus serviços”.

    O proprietário é um senhor de forte personalidade, que está há muito tempo na área, e sabe muito a respeito do próprio negócio. Tive uma excelente impressão de sua fábrica. Tudo excepcionalmente limpo, claro, organizado. Me explicou que montou seu negócio com o que há de melhor. Me mostrou fornos importados, maquinário de primeira. Disse que treinou seu pessoal. Contou planos de expansão. Ao me explicar que faz eventos e monta restaurantes itinerários, disse que não é mesmo a opção mais barata, por que serve coisa boa.

    “Já tenho uma pessoa que faz esse serviço de design para mim”, explicou. “Mas não está me atendendo bem. Eu peço uma coisa, ela demora, trava. Não me dá prioridade”. Me pediu orçamento para um pacote de serviços, com urgência, o que fiz prontamente.

    Dias e dias depois, como não tive retorno dele, retomei o contato, para saber se houve algum problema. Sem muitos rodeios ele disparou: “Achei caro”.

    Argumentei que não era um pacote pequeno. Que haviam várias horas de trabalho envolvidas, que poderíamos conversar e rever as expectativas dele. Não teve muita conversa. Aparentemente, ele voltou a achar seu primeiro fornecedor (aquele que não o estava atendendo bem) uma opção mais viável.

    Valor não é custo

    Devo reconhecer que não sou o profissional mais barato do mercado. Nem quero ser. Não sou saco de cimento, ninguém me compra a quilo. Porém, estou longe de ser o mais caro. Como tenho uma estrutura enxuta, com poucos gastos,  consigo manter um valor que considero justo, e até atraente.

    A atitude do cliente está longe de ser algo isolado. Se estudarmos, poderemos entender o que está por trás, sem julgá-lo , sem demonizá-lo.

    O pequeno empresário somente agora começou a perceber que precisa de design para sua empresa ser percebida. Isso é novo pra ele. Até pouco tempo, nem isso havia. Mas está entrando em seu sistema como uma obrigação. Um passo para se tirar da frente, assim como o contador e local de atendimento. Ele ainda não nem se acostumou com design como peça fundamental no processo de construção de sua marca. Aliás, o conceito de possuir, ser dono de uma marca (e não somente de uma empresa) ainda não tocou o sino na cabeça do pequeno empresário brasileiro.

    As grandes empresas, que são donas de grandes marcas, ja atentaram para essa realidade há algum tempo. Vemos casos de branding cada vez mais complexos, mais assertivos. Vemos empresas contratando CEOs que vieram das áreas de criação e marketing. Publicitários e designers famosos estão migrando para dentro de consultorias internacionais, num claro movimento de valorização do trabalho de marca.

    Nas pequenas e médias empresas, no entanto, o que vemos é um distanciamento, um certo medo de confiar num designer, e uma atitude um tanto receosa quanto à esse profissional. Como se o empresário quisesse tirar logo essa etapa da frente. É comum ouvir dizer: “preciso do logo pra poder fazer cartão e começar a vender”. É como um tiro certo, mas fora do alvo. A empresa precisa sim, do logo, mas pensa nele como uma peça apartada. Como um processo separado do que a empresa é, não como parte de um processo que ajuda o empresário a definir suas metas e identidade.

    Por isso, quando faz uma análise do profissional que vai escolher, acaba com o mais barato, ou soluções de crowsourcing, ou pior ainda, com o sobrinho mesmo. Afinal, é só uma “marquinha” que ele precisa, a loja (ou empresa) já está pronta, ele já tem os profissionais. Na cabeça desse profissional, aquele  símbolo não representa mais do que algo bonitinho na fachada ou no cartão.

    Aprenda com quem cresceu

    Na verdade, se analisarmos o mercado internacional, veremos que a situação é inversa. As grandes empresas investem quantias absurdas de dinheiro, é bem verdade. Mas justamente por estarem atreladas a compromissos com acionistas, conselhos enormes de diretores, com linha gigantes de produtos, todas as decisões tem a tendência de seguir por caminhos considerados seguros, e por consequência, com pouca inovação.

    A grande ruptura, as ações mais inventivas e surpreendentes, porém, vêm das pequenas e médias. Por poderem experimentar, podem ousar. Podem tentar, e se não der certo, corrigir o rumo. Uma grande empresa raramente tem essa oportunidade.

    São as pequenas empresas que mais interferem na paisagem urbana. A mudança de patamar visual nessas empresas faria muito mais bem às cidades do que qualquer projeto “Cidade Limpa”.

    Pequenas empresas podem investir num relacionamento com seu designer muito especial. Onde aquele que te atende é o mesmo que sentará ao computador para desenvolver sua ação de marca. Onde o proprietário do estúdio pode visitá-lo pessoalmente, discutir com profundidade os rumos que pretende tomar. Ao ser atendido por uma grande agência, isso não vai mais acontecer. Via de regra, o empresário não terá contato com quem está cuidando de seu material.

    Creio que o pequeno empresário brasileiro ainda acordará para essa realidade. Ainda verá que um projeto de branding é insubstituível para seu negócio. E então, ele deixará de vê-lo como um custo, e passará a ver como um investimento.

    Empresas, designers e sociedade ganharão muito quando este dia chegar.

    (As imagens desse post são de empresas da Propósitto que acreditaram, inovaram e investiram em branding. Nosso muito obrigado a todos)

  • Stadia: apareceu o bicho papão do ano

    Stadia: apareceu o bicho papão do ano

    A gente está mal acostumado. Vivemos em uma época de inovação tão acelerada, que ficamos esperando algo grande aparecer todo dia.

    Teve um tempo que isso era mais fácil. Steve Jobs aparecia duas vezes por ano em seus keynotes, e nos apontava objetos de desejo que nós nem sabíamos que tínhamos.

    Hoje em dia é mais difícil. A Apple faz uma apresentação milionária para mostrar um celular que custa os olhos da cara, e que não tem um “hatch”. A Samsung mostra outro que tem cinco câmeras, resolução suficiente para fotografar um ácaro na sua cara. Ou um telefone meio desajeitado, que faz tudo que os outros fazem, e é DOBRÁVEL.

    A reação do público? “Meh.” Legal, bacana, mas o meu ainda tá bom. Tá muito caro. Tem um chinês mais barato que faz igual.

    Daí, essa semana, o Google resolve anunciar, numa conferência de Games (GDC 2019), o lançamento de sua plataforma de games. E veja o plot twist. Eu disse “plataforma de games” e não “console”.

    Há algum tempo que games deixaram de ser notícia para crianças. O mercado de games movimenta hoje mais dinheiro que o de cinema. Emprega uma quantidade de pessoas absurda. Turbina tecnologias que vão parar nos computadores e TVs de pessoas que nunca compraram um Playstation na vida.

    Mesmo num cenário tão especializado, o anúncio da Google me causou arrepios.

    Jogando sem console


    O nome do produto é Stadia, e é um ambiente para jogos totalmente localizado na nuvem. O que isso quer dizer? Quer dizer que o jogo roda como um filme da Netflix. Você não precisa de um console. Na demo que mostraram na conferência, a pessoa clica em um botão, e em no máximo 5 minutos, está jogando, do ponto onde parou da última vez. É mais profundo do que você imagina: o usuário pode alternar o equipamento usado, indo de um computador para outro, para uma tablet, para um notebook, sem perder o ponto onde estava.

    Dá pra ficar mais inacreditável ainda? Dá: de acordo com a Google, Stadia rodará jogos a 60 frames por segundo, numa resolução 4k, em equipamentos sem placa de aceleração gráfica. O processamento todo acontece na nuvem.

    Ou seja, a Google está te oferecendo um produto para que você gaste menos, e não mais. Chega a dar medo.

    Se você está dando de ombros porque não é gamer, pense de novo.

    Imagine as utilizações possíveis em outras áreas num sistema como esse. Todo um mercado imobiliário se abrirá para empresas comprarem espaços virtuais que existirão nos ambientes dos games. O mercado de compras, a monetização que é feita dentro de games, que hoje já movimenta uma baba vendendo itens para os jogadores (somente o Fortnite, que é de graça par jogar, vendeu quase 2 bilhões e meio de dólares no ano passado), vai bombar quando receber jogadores de todos os lados, operando todo tipo de aparelhos.

    O mercado de exibição de games, que já movimenta espaços como o Twitch, pode se transformar em algo parecido com o de esportes de verdade, com partidas de jogos sendo transmitidas ao vivo pelo Youtube, com uma diferença: o espectador pode pedir a qualquer momento para participar.

    Jogo de cachorro grande

    Se a promessa do Stadia se concretizar, ambientes de redes sociais podem finalmente cumprir a vocação de se tornarem localidades virtuais de verdade. Imaginando uma bastante provável convergência de tecnologias que leve os aparelhos de realidade virtual para junto dessas plataformas, o cenário é realmente ilimitado. Reuniões de negócios poderão ser feitas com pessoas ao redor do globo conectados em um ambiente como esse. Experiências cinematográficas inimagináveis até agora podem surgir como um braço novo do entretenimento. Enfim, é um mercado de potencial enorme, e que acaba de colocar a ponta do iceberg para fora d’água.

    A Google não é a única a trabalhar nessa direção. A Microsoft tem um projeto semelhante em andamento, o Projeto xCloud, e aparentemente a Amazon também dá seus pulos nessa direção. A seu favor, a Microsoft tem o expertise no trato com games. A Google porém, chutou a bola primeiro. Em marketing, a gente sabe o valor de ser o primeiro em qualquer coisa.

    Sim, existe um lado assustador nisso. A imersão pode ser tamanha que pode acabar de sugar nossos jovens de vez para dentro do mundo virtual. A velocidade que as coisas andam por vezes me parece superior a possibilidade que temos de entender tudo. O que isso pode gerar, ainda não sabemos.

    Mas para quem se interessa por negócios, é uma notícia para deixar todos os radares em modo de atenção.

    A Apple deve estar arrancando os cabelos em uma hora dessas, quando se prepara para apresentar uma de suas novas grande inovações: um canal de TV por streaming, que a Netflix e outra meia dúzia de players já domina.

  • Investindo em sua marca no meio da crise

    Investindo em sua marca no meio da crise

    Deixar sua marca ao Deus dará ou fazer de forma amadora podem causar mais danos do que economia.

    Novo governo, desemprego em alta, reforma da previdência encalacrada, uma economia capenga, e para deixar tudo mais complicado, ainda temos distrações multiplas vindo do Twitter presidencial e dos seus filhos.

    Um só desses fatores já poderia influenciar no equilíbrio de qualquer empresa. Todos juntos é um sinal forte para quase todo empresário entrar em alerta laranja. Mesmo que as coisas estejam bem, é bem natural e compreensível que o empreendedor tire o pé do acelerador, nem que seja para conseguir ver um panorama mais detalhado da estrada em que está. O problema é que muitos fazendo isso ao mesmo tempo, e pronto: criamos mais um engarrafamento.

    O brasileiro tem medo de crise. O empresário, que não costuma contar com a ajuda governamental, mas sabe bem que o governo pode atrapalhar bastante quando quer, é gato escaldado, e prefere não ser pêgo de calças curtas. Mas toda essa prudência pode vir com um certo custo. Não conhecemos a abrangência de tempo desses eventos. Deixar de investir em sua marca por 6 meses, deixando em banho Maria pode ser muito mais perigoso do que benéfico.

    É perfeitamente entendível que se prefira cortar grandes produções, grandes eventos, segurar os recursos e garantir que a organização esteja razoavelmente em forma para enfrentar qualquer intempérie. Mas e se os esforços acabarem, por omissão e medo, enfraquecendo a imagem da sua empresa? Desbotando a marca que, durante o tempo de bonança, ficou mais forte e reconhecível, seja pelo investimento que foi feito, seja pela capacidade de vendas aumentada pela economia forte.

    A súbita paralisação desse investimento pode ser pior do que nunca tê-lo feito.

    Tenha um plano

    O ideal é reorganizar e reescalonar suas metas para tempos de crise. Sai a estratégia de crescimento, e dá lugar a uma nova estratégia, de manter e assegurar seu lugar no mercado. Ou, dependendo do fôlego que sua empresa tem em estoque, uma estratégia de avaliar quais concorrentes estão sentindo mais o baque para ampliar mercado. Aproveitar o período para treinar colaboradores, inclusive a como atuar durante a crise. Injetar ânimo na equipe reforçando o orgulho deles de serem parte do time. São diversas opções.

    Em economias mais fortes, a lógica segue o caminho inverso. Você não vê marcas com posições consolidadas gastando demais em promoção e publicidade. Mas quando vêm a crise, todas abrem os cofres e produzem campanhas inesquecíveis. A verdade é que durante as crises, sua competição aumenta, com outras marcas agindo de forma agressiva para pegar aquele seu cliente.

    Crise também é oportunidade

    Durante períodos de tranquilidade, de liderança no mercado, o trabalho de marca se concentra no institucional (sem nunca, jamais cessar por completo), mantendo a percepção positiva na mente de seus clientes.Duas coisas são certas: não investindo nada, as chances de nada acontecer são grandes. E com isso, a possibilidade do eu barquinho virar. E outra, muito importante: contrate um profissional para te ajudar a pensar nisso tudo.

    Nesses momentos é muito comum o empresário achar que, já que ele participou dos processos decisórios sobre design e marca junto com o designer, dá para assumir essa função, mesmo que temporariamente, para economizar. Erro crasso. Dessa forma, é preferivel nem fazer nada, a fazer amadorística e porcamente.

    Economias podem ser feitas trocando ações mais caras por outras mais contidas. Também pode-se optar por uma comunicação mais dirigida, mais focada nos objetivos estratégicos primários. Mas essa economia não precisa ficar explícita em cada peça mal feita que for vista pelo público. Pelo contrário, em períodos incertos, as pessoas preferem se relacionar com marcas sólidas, positivas, que não transparecem o medo do futuro.

    Não deixe que sua empresa se pareça com uma boia furada que é jogada no meio mar revolto para esse cliente. Ele, como todos os outros, está no meio da mesma tempestade, quer se apoiar em algo seguro e firme.

    Sim, prenúncio de crises metem medo em todos. Mas se é inevitável entrar numa briga, melhor fazer alguma musculação antes.

  • Pentagram assina o redesign da marca da American Express

    Pentagram assina o redesign da marca da American Express

    A operadora de cartões de crédito American Express já foi sinônimo de exclusividade e status. Quem sacava o famoso cartão Golden, que tinha limites infinitos, era imediatamente percebido como milionário.

    O tempo passa, crises financeiras se instalam, a tecnologia e a rapidez da internet tornaram esses atrativos menos relevantes. Nos últimos anos, é notório que a marca já não vinha sendo aceita em todo lugar como antes.

    Num esforço de contemporizar e reposicionar a marca no contexto atual, a Amex contratou a Pentagram para redesenhar sua marca.A verdade é que a operadora ainda conta com um senhor recall de marca.

    A Pentagram decidiu investir em um visual muito mais moderno, aposentar os elementos tradicionais demais, e criar uma marca que se adeque às diversas mídias e locais que são obrigatórios para marcas financeiras.

    Em nossa opinião, o esforço compensou. A marca antes tinha endentamentos que criavam formas um pouco incômodas, tinha pouco dinamismo na sua tipografia, que foi resolvido nas novas versões. Além disso, o toque de tecnologia fez bem à marca. A agência também aposentou os degradês e apostou fundo no característico azul da American.

    O resultado você vê aqui e no site da Pentagram:

    https://www.pentagram.com/work/american-express-1/story

  • Impulsionar as marcas de pequenas empresas.

    Impulsionar as marcas de pequenas empresas.

    9 dicas de mídia social para impulsionar as marcas de pequenas empresas.

    Estabelecer uma forte presença na mídia social pode significar grandes negócios para sua empresa. Mas se você não tem recursos para dedicar a ele, ou você não tem muito tempo de qualidade, você pode achar difícil ganhar força. Use essas nove dicas de mídia social para impulsionar os negócios e aumentar sua marca.

    Definir metas claras

    Não importa o quanto você esteja ansioso para começar a usar as mídias sociais para sua empresa, reserve um tempo para definir metas claras antes de começar. Tente definir metas da SMART – específicas, mensuráveis, alcançáveis, relevantes e oportunas – para orientar sua estratégia de mídia social.

    Por exemplo, você pode decidir quantos seguidores planeja ganhar em um determinado período de tempo ou calcular os números de vendas que deseja gerar com seus esforços de mídia social. Certifique-se de pesquisar os resultados típicos para que você saiba como seus objetivos são alcançáveis ​​e quantos recursos você precisará dedicar para que seus objetivos aconteçam.

    Junte-se às plataformas certas

    A mídia social engloba mais do que apenas o Facebook. Muitas empresas também estabelecem perfis no Instagram, Twitter, Pinterest, LinkedIn, Yelp e uma longa lista de outras plataformas.

    Embora não seja necessário associar-se a todas as plataformas, você deve certificar-se de que as que escolher sejam adequadas para o seu negócio e para o seu público. Por exemplo, o LinkedIn tende a ser mais popular para empresas business-to-business (B2B), enquanto o Instagram é o melhor para alimentos, fitness, moda e outros bens de consumo com forte presença visual. Para encontrar as plataformas de mídia social corretas , pesquise onde seus concorrentes e seus clientes ideais tendem a gastar seu tempo.

    Crie uma estratégia

    Depois de selecionar uma ou mais plataformas, é hora de criar sua estratégia de mídia social. Afinal de contas, as mensagens de mídia social atraentes não aparecem apenas do nada.

    Para aprimorar sua estratégia, pense em onde os tópicos que atraem seu público se cruzam com os problemas que sua pequena empresa representa. Em seguida, faça um gráfico do conteúdo que você já criou e as postagens que você ainda terá que produzir ou selecionar. Transforme seu plano em um calendário e planeje quando e onde postará, mantendo seus objetivos gerais em mente enquanto você cria estratégias.

    Seja autêntico

    Ao criar uma estratégia e começar a compartilhar conteúdo, sempre tome cuidado para falar na voz de sua marca. Usar uma voz genérica ou ser excessivamente auto-promocional não ajudará a sua pequena empresa a se destacar ou a ficar na mente de seus seguidores. Em suma, seja autêntico.

    Se você está no mercado há muito tempo, há uma boa chance de que a cópia do seu site ou seus materiais de marketing já tenham estabelecido a voz da sua marca. Use isso como um guia para que o que você diz on-line seja coerente com o que os clientes lêem em seu site. Se a sua empresa é relativamente nova, no entanto, tente pensar sobre as crenças da sua marca e sobre a maneira como você deseja interagir com o seu público ao criar uma voz de marca distinta.

    Conheça seu público

    Para ajudar sua pequena empresa a aumentar seu público de mídia social, você precisará conhecer bem seus seguidores. Comece referenciando os dados que você reuniu em seu cliente ideal e adapte seu perfil de mídia social às necessidades, desejos, pontos problemáticos e interesses do seu público-alvo.

    Algumas vezes por ano, verifique se você ainda está falando com os seguidores certos. A maioria das plataformas de mídia social fornece análises de público-alvo para ajudar você a analisar sua demografia de seguidores e seus horários de pico de atividade. Então você pode usar o que aprendeu para ajustar sua presença na mídia social.

    Faça do engajamento uma prioridade

    Se você realmente quer que sua pequena empresa seja bem-sucedida nas mídias sociais, não a defina e esqueça. Em vez disso, torne o envolvimento do público-alvo uma prioridade. Verifique seus perfis com frequência, responda a perguntas e responda a comentários em suas postagens.

    Não pare por aí, no entanto. Identifique seus maiores fãs e seus membros mais valiosos do público e também se envolva com o conteúdo criado por eles. Priorizar o engajamento certamente leva tempo, mas dá à sua marca uma personalidade e ajuda a construir uma comunidade mais forte, ajudando seus negócios a se beneficiar no longo prazo.

    Parceiro Com Influenciadores

    Para expandir o alcance da sua marca nas redes sociais, você desejará fazer parcerias com influenciadores. Influenciadores podem variar de especialistas em sua indústria, indivíduos credíveis em sua comunidade ou até mesmo seus clientes. O objetivo é expandir o alcance da mensagem e dos serviços da sua empresa por meio de postagens orgânicas de outras pessoas que compartilham seu público-alvo.

    Para aproveitar ao máximo qualquer colaboração, procure os influenciadores específicos do seu nicho e reserve um tempo para construir relacionamentos com eles antes de trabalhar juntos em uma função oficial. Considere pedir aos influenciadores que revisem seus produtos ou serviços ou associem-se a eles para promover uma oferta. Cultivar relacionamentos de longo prazo pode ajudar seu negócio a crescer com o tempo, então considere seus objetivos com cuidado antes de se aventurar em campanhas de influência.

    Economize tempo com ferramentas de terceiros

    Fazer com que a mídia social funcione para sua empresa pode parecer muito trabalho. Com as ferramentas certas de terceiros à sua disposição, no entanto, você pode impulsionar seus negócios com facilidade.

    Por exemplo, em vez de compartilhar postagens de mídia social em tempo real, experimente uma ferramenta de terceiros que permita agendar as postagens antecipadamente. Em vez de confiar nos dados que cada plataforma fornece, pense em investir em um pacote de software poderoso que ofereça análises robustas e sugestões simples de melhoria. O custo do software e dos aplicativos pode aumentar rapidamente, mas, por ser seletivo, manter o orçamento e ter acesso flexível a fundos para despesas de marketing, você pode impulsionar o crescimento de sua pequena empresa.

    Acompanhe seu progresso

    Nunca é seguro supor que você está progredindo nas mídias sociais se não estiver acompanhando o crescimento com cuidado. Analise as análises de cada plataforma no final de cada mês e verifique se você está trabalhando para atingir suas metas conforme o previsto.

    Tome nota do tipo de conteúdo que ressoa melhor com seu público e observe os tipos de postagens que também tendem a crescer. Desde adicionar mais conteúdo visual a atualizar seus tempos de postagem para responder aos comentários mais rapidamente, modifique sua estratégia conforme necessário para manter sua empresa avançando nas mídias sociais.

    Se você acabou de lançar o seu negócio ou se está desenvolvendo uma empresa que vem nutrindo há anos, uma forte presença na mídia social pode ajudar.

    Por: SmallBizDaily

  • Hilário comercial de TV mostra Alexa dando problema

    Hilário comercial de TV mostra Alexa dando problema

    Existem milhões de formas de promover uma marca.

    A Amazon resolveu promover sua assistente virtual, Alexa, inventando problemas para ela. E não economizou pra isso.

    O comercial, que foi veiculado no Superbowl nos Estados Unidos, tem participações especiais de Forest Whitaker e Harrison Ford, e é espetacular. Ele mostra produtos em que a Alexa foi testada e não funcionaram.

    Independente de qualquer coisa, a peça passa a mensagem, de que a assistente vai obedecer o que você quiser.

    Fonte: The Verge

  • A maior fabricante de comida embalada do mundo vai acabar com embalagens de uso único

    A maior fabricante de comida embalada do mundo vai acabar com embalagens de uso único

    A Nestlé vai dizer adeus a canudos e algumas garrafas plásticas até 2025. Mas provavelmente veremos muito mais que isso em breve.

    A maior fabricante de comida embalada do mundo finalmente está dando passos drásticos para reduzir sua pegada de plástico. Nestlé, que deve anunciar um faturamento na casa dos US$ 90 bilhões em 2018, vai começar a eliminar todos os canudos de plástico de seus produtos, começando este mês, e fazer uma transição de sua marca de leite achocolatado Nesquik do plástico para o papel.

    Foto: Nestlé

    Estes são alguns dos primeiros planos anunciados depois da promessa feita em 2018 de eliminar todos os plásticos de uso único da sua linhas de produtos – e de fazer com que 100% das suas embalagens sejam recicladas ou reutilizáveis até 2025. Para conseguir isso, a companhia revelou a criação do Instituto Nestlé de Ciências da Embalagem em Dezembro último.  No seu laboratório de desenvolvimento na Suíca, Nestlé vai inventar e testar novas soluções de embalagens que serão usadas em mais de 2.000 marcas, da Dog Chow até o DiGiornio.

    A empresa – pelo menos baseado na sua retórica pública – parede enteder o escopo do problema da reciclagem. Ainda que seja tecnologicamente possível reciclar muitos tipos de plástico, nem sempre isso é factível ou lucrativo para os centros de reciclagem pelo mundo, que geralmente são entidades privadas.

    Ao invés disso, a Nestlé vai reformular muitos dos plásticos que ela usa, tirando de linha todos os não recicláveis ou “de difícil reciclagem” até 2025. Isso inclui a eliminação de meia dúzia de diferentes compostos encontrados em filmes plásticos, berços, tintas de impressão, casulos, tampoas para cones de sorvete e copos de papéis laminados.

    Mas garrafas de plástico, em particular, vão representar um desafio enorme para a Nestlé – que fatura bilhões ao administrar 100 operações de engarrafamento de água em 34 países pelo mundo. Cada linha de produção dessas fábricas pode produzir até 1.00 garrafas por minuto, e a maioria opera num regime 24/7. Ainda que a Companhia tenha se comprometido em aumentar o uso de plásticos recicláveis em suas garrafas de água, ela ainda produz quantidades inimagináveis de garrafas com as quais precisará lidar depois de irem pro mercado.

    Como resultado, Nestlé parece admitir que realmente precisa pensar além do plástico típico. “Ainda que estejamos comprometidos a buscar opções de reciclagem sempre que seja factível, nós sabemos que 100% de reciclabilidade não é o suficiente para lidar com a crise do lixo”, diz o CEO da Nestlé, Mark Schneider, num comunicado a imprensa. “Nós acreditamos no valor dos materiais recicláveis e compostáveis baseados em papel, e polímeros biodegradáveis, em particular onde a infraestrutura de reciclagem não existe”.

    Isso coloca a Nestlé em boa companhia: no ano passado, a Starbucks e o McDonalds (e aí, a Coca-Cola) anunciaram planos de se unirem para construir um copo melhor, que possa ser reciclado e compostado. Não será propriedade, qualquer companhia no mundo poderá usar o mesmo design. Para estes gigantes do ramo alimentício, não há ganho financeiro imediato ao contribuir com milhões de dólares para um padrão mais sustentável de copo. Novas embalagens serão provavelmente mais caras do que as que usamos atualmente.

    Então, porque fazwer? Para começar, 2018 foi o ano em que o mundo finalmente começou a acordar para os perigos do plástico, que tomou a forma de um movimento global para banir os canudos em cidades ao redor do globo. A indústria de alimentos é soberba em responder às sempre crescentes preferências dos consumidores, e reduzir o uso dos plásticos é, em essência, o assunto do momento.

    Mas se você me permitir ser otimista, por um momento, talvez, empresas alimentícias  estão também reconhecendo que o modo mais simples e barato de fazer as coisas não é o melhor. Nós talvez não possamos parar a Nestlé de engarrafar água que flui gratuitamente para nós via anos. Mas pelo menos a companhia vai reconhecer que se não fizer algo a respeito de plásticos, eles vão continuar se empilhando sobre nós. Pequisadores já estão encontrando resíduos de plástico nas águas engarrafadas. Se não fizermos algo agora, em breve teremos sorte de achar algumas gotas de água dentro do nosso plástico engarrafado.

    Fonte: Fast Company

     

    Sobre o autor

    Mark Wilson é escritor sênior em Fast Company. Ele iniciou Philanthroper.com, um modo simples de retribuir todos os dias

  • Marcas com Propósito: Gillette

    Marcas com Propósito: Gillette

    Assisti ontem ao filme da Gillette que está causando comoção e revolta nas redes sociais. E não entendi bem a gritaria.

    É um filme muito bonito e bem feito, que está sendo acusado de ceder à uma pauta politicamente correta e à uma agenda feminista, ao mostrar homens sob uma ótica negativa.

    Não concordo.

    A Gillette é uma marca primariamente masculina (apesar de vender produtos para mulheres também). No meio do turbilhão que movimentos como o #MeToo causaram nas estruturas americanas, marcas ligadas à masculinidade poderiam sofrer danos às suas imagens. Poderiam ser associadas a qualquer pessoa. Imaginem o custo de imagem se fotografassem um produto Gillette dentro do banheiro de Harvey Weinstein.

    Além disso, a reação de qualquer homem decente, ao ver acusações generalizantes para com o público masculino, vai pensar “mas caramba, eu não sou assim”.

    Pois eu acho que foi justamente pensando neste público que a Gillette criou esse comercial. Para o homem que não se enquadra em chavões. Para o público que não aceita ser o pior dos estereótipos. Eu vi o filme, e não me senti nem um pouco ofendido. Veja por si só.

    https://www.youtube.com/watch?v=koPmuEyP3a0

    Não conheço em profundidade, mas eu creio que essa ação deve fazer parte de um novo direcionamento da empresa. Dessa forma a Gillette aponta para uma ambição maior do que simplesmente vender lâmina de barbear, e passa a escolher um papel mais ativo no mundo.

    Da minha parte, eu acho perfeito.